Escrito em por . Atualizado em 08/09/2017 10:20h.

NorthKorea_2008_0380003771Num momento em que o mundo concentra sua atenção no teste de mísseis da Coréia do Norte, a história de uma mulher mostra quão terrivelmente são tratadas as pessoas que se recusam a seguir as regras autoritárias do governo.

Hannah Cho* nasceu logo antes da guerra da Coréia começar em 1950. Após a guerra, a manifestação pública de religião foi desencorajada e sua igreja local foi transformada em uma escola. Mesmo assim, a mãe dela, uma cristã, continuou a orar em casa, enquanto que Hannah e seu pai vigiavam os vizinhos que poderiam informar às autoridades sobre sua fé.

“Se alguém se aproximasse, tossíamos e ela parava de orar”, disse Hannah.

Já casada e com três filhas e um filho, depois que a mãe morreu, ela e sua família decidiram deixar a Coréia do Norte e ir para a China. As duas filhas mais velhas foram as primeiras a fugir, mas, traídas pelo corretor, ao invés de encontrar um parente próximo, foram vendidas em casamento para agricultores chineses pobres de uma aldeia. Mas após muitas dificuldades, a família toda conseguir se reencontrar e começou a frequentar a igreja de um parente, onde todos se converteram à fé cristã.

“Sentimos paz em nossos corações e alegria inexplicável. […] eu finalmente conseguiria ver Deus. Agora eu poderia segui-lo como a minha mãe,” disse Hannah.

Depois de duas semanas, as duas filhas mais velhas voltaram para suas famílias chinesas, onde estavam mais seguras, mas tempo depois, o restante da família foi descoberta por agentes secretos chineses que os prenderam e os levaram para a Coréia do Norte onde também ficaram presos.

“Quando chegamos [na Coreia do Norte] testemunhamos uma cena terrível. Uma mulher na prisão, grávida de um homem chinês, deu à luz na prisão e o guarda ordenou que ela matasse seu bebê, porque misturar o sangue coreano com o chinês é um pecado terrível, mas ela não podia. O guarda então ameaçou outra mulher, dizendo-lhe que a deixaria viver se ela matasse o bebê. Com uma arma na cabeça, a presa não teve outra escolha além de estrangular o bebê até morrer. E nós tivemos que assistir.”

Além de presenciar a cena, a família foi separada na prisão onde foram espancados e interrogados. Os quatro ficaram em confinamentos solitários – uma pequena gaiola sem receber comida ou água e sem conseguir dormir, onde são muito maltratados.

“Ninguém se atrevia a resistir porque apenas piorava a tortura. Mas meu marido era diferente. Quanto mais o torturaram, mais ele defendeu sua fé. Ele gritou para eles: Se acreditar em Deus é um pecado, eu prefiro morrer! Apenas me mate! É minha missão viver de acordo com a vontade de Deus!”

Hannah também foi agredida e ficou perto de morrer. Desidratada, ela foi espancada até ficar inconsciente. Quando acordou, foi arrastada de volta para uma cela normal junto da filha de outras mulheres e foi agredida na frente de todos e sua filha chorava silenciosamente.

No dia em que finalmente foi liberta, Hanna foi levada ao escritório da prisão com sua filha, e lá havia dois prisioneiros. “Eu reconheci meu filho, mas o meu marido estava tão mal que eu não o reconheci e nem ele me reconheceu. Suas costelas e clavículas estavam quebradas, então ele não conseguia se levantar em linha reta. Mas percebi que era ele.”

Depois que a família ficou livre, Hannah voltou à China com sua filha, a pedido de seu marido. Ele prometeu que depois de um mês, a encontraria levando o filho. Passaram-se meses e eles não apareceram. Hannah descobriu depois de sua partida, seu marido morrera e que seu filho não poderia atravessar a fronteira sozinho. Ele ainda está na Coréia do Norte e eles não se veem ou se falam há muitos anos.

“Cerca de dois anos atrás descobri que ele ainda está vivo e vive com um membro da família. Até conseguimos nos telefonar uma vez. Agora vivo na Coréia do Sul. Minha primeira e terceira filha estão aqui comigo. Minha segunda filha vive na China com o marido. Ela ainda corre o risco de ser descoberta e enviada de volta. Espero que um dia eu esteja junta na Coreia do Sul com essa filha e esse meu filho.

* Nome alterado por motivos de segurança.

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Fonte: World Watch Monitor
Por: Redação l ANAJURE