Escrito em por . Atualizado em 16/02/2018 17:58h.

templo-da-igreja-presbiteriana-de-al-haj-yousif-demolido

[Foto: reprodução internet]

Uma Igreja Presbiteriana Evangélica do Sudão (SEPC – sigla em inglês) foi demolida no último domingo (11), em El Haj Yousif, norte da capital Cartum, segundo informações da Christian Solidarity Worldwide. De acordo com testemunhas, pelo menos três caminhões da polícia local chegaram à igreja sem aviso prévio momentos após o término do culto. Os policiais confiscaram objetos como cadeiras, bíblias e instrumentos musicais na propriedade antes da demolição.

Este caso entra para a lista de outros 25, ocorridos após a assinatura de uma ordem em junho de 2016, que previa a demolição de igrejas no país (leia mais aqui). Os líderes das igrejas se reuniram em um desafio legal para evitar a apreensão e destruição das propriedades usadas como seus locais de culto (leia mais aqui). A igreja em El Haj Yousif alegou que é proprietária legal da terra em que o prédio da mesma foi construído desde 1989, podendo portanto usá-la como local de culto.

Em 5 de fevereiro deste ano, sete membros da mesma igreja, incluindo um idoso, foram multados por “cometer incômodo público”; seis membros foram obrigados a pagar 2.500 libras sudanesas – SDP – (aproximadamente $138 dólares), e Younan Tia, um idoso da igreja, foi multado com 5.000 SDP (US $ 276 USD). Outros 18 membros foram absolvidos das mesmas acusações, e o mesmo grupo havia sido preso em abril de 2017 num protesto pacífico contra a aquisição de uma escola administrada pela igreja.

A SEPC tem lutado uma longa batalha contra a interferência governamental. Embora o Ministério de Orientação e Fundamentos Religiosos tenha autorizado dois comitês a agirem em nome da denominação, foram observadas algumas irregularidades nas ações dos mesmos, como a aprovação de vendas de terrenos e propriedades aos investidores muçulmanos desde 2013, evidenciando que os responsáveis pela supervisão de assuntos religiosos no país age contra o desejo das SEPCs. O tribunal civil legitimou o comitê ilegal quando despejou o pastor da igreja de sua casa em agosto de 2017 (leia aqui), mesmo após o tribunal administrativo ter informado, em agosto de 2015, que o governo cometeu um erro ao autorizar a convocação ilegal dos comitês para agir em nome da denominação. O Ministério de Orientação e Fundamentos Religiosos ignorou a declaração. O comitê não eleito também ficou responsável pela administração da Igreja sudanesa de Cristo (SCOC), denominação que também desafia uma decisão do governo, através do Ministério de Orientação e Fundamentos Religiosos do Sudão, que impõe esta administração ilegal desde 2017.

Mervyn Thomas, chefe executivo da Christian Solidarity Worldwide, afirma: “A demolição é claramente um ato de intimidação visando a comunidade cristã. Instamos o governo do Sudão a defender o direito constitucional da liberdade de religião ou crença para todos os cidadãos sem preferência, e a assegurar que o SEPC em El Haj Yousif tenha um lugar onde adorar, além se der compensada por suas perdas.”

A demolição da Igreja Presbiteriana Evangélica do Sudão aconteceu em meio a uma repressão governamental devido às manifestações pacíficas contra medidas econômicas que causaram um aumento significativo nos custos das mercadorias básicas. O Serviço acional de Inteligência (NISS) do país confiscou jornais que informavam sobre o protesto e deteu jornalistas, políticos da oposição e estudantes.

 

__________________________
Por: Redação l ANAJURE
Com informações de: G1, CSW e WWM