Escrito em por . Atualizado em 26/09/2018 16:31h.

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Membros da comunidade cristã local na frente da nova igreja que estão construindo (Foto: World Watch Monitor)

Uma disputa de terras entre aldeões cristãos e muçulmanos na área rural do Paquistão terminou com um ataque popular à comunidade cristã, mas sem nenhuma acusação contra os atacantes.

Um menino de 10 anos de idade teve o braço quebrado e duas mulheres foram espancadas e tiveram suas roupas rasgadas quando uma multidão composta por homens e mulheres desceu sobre a comunidade cristã na vila de Warn, distrito de Kasur, em 2 de agosto.

Isto ocorreu após falsas acusações de que jovens cristãos haviam apedrejado um homem muçulmano até a morte por tentar reivindicar terras pertencentes aos cristãos, que constituem cerca de um quinto da população da aldeia. Agora, quase dois meses depois, os aldeões cristãos, que são, em sua maioria, são analfabetos e trabalham como operários na olaria local, dizem que estão com muito medo de apresentar uma queixa oficial à polícia, por medo de novos ataques.

Um cristão local, Bashir Masih, terceiro da direita na foto acima, disse ao World Watch Monitor que sua comunidade não “esperava que não ocorresse nada” se o assunto fosse investigado. “Em vez disso, causaria ainda mais ódio, fazendo com que as pessoas voltassem para espancá-los novamente”, disse ele.

Por que o ataque?

Mais cedo, no dia do ataque, houve uma disputa referente a um pedaço de terra pertencente à igreja católica local, St. Matthew’s, que faz fronteira com um campo cujo proprietário é muçulmano, Mukhtar Hussain. Em janeiro, Hussain entrou com um pedido na corte local para cultivar a terra. Seu pedido foi rejeitado, mas, em 2 de agosto, ele e cinco outras pessoas, incluindo seus três filhos, começaram a limpar a área com um trator.

“Era por volta das 10h e a maioria dos homens tinha ido trabalhar quando os filhos de Mukhtar começaram a limpar a terra”, lembra Bashir Masih, que é o tesoureiro da igreja. “Imediatamente, os cristãos, que eram em sua maioria mulheres e crianças, começaram a se reunir lá e tentaram impedi-los. Mukhtar, de setenta anos, e os outros, usaram paus para espancar duas mulheres cristãs: Biquis Bibi, 35, e Nasreen Bibi, 60. Com isso, as crianças [cristãs] jogaram pedras neles. Uma pedra atingiu Mukhtar no nariz, que começou a sangrar, fazendo-o sair.

“Esses muçulmanos imediatamente espalharam notícias de que ele havia morrido depois que os cristãos o atingiram com uma pedra. Depois de apenas alguns minutos, cerca de 50 a 60 homens e mulheres se reuniram e desencadearam um ataque às casas dos cristãos. Os muçulmanos espancaram todos que encontraram pela frente e, quando os cristãos se trancaram em suas casas, eles quebraram os portões de entrada e também as paredes. Dentro das casas, insultaram as mulheres, espancaram-nas e feriram-nas.

“Estávamos trabalhando a cerca de um quilômetro de distância em nosso forno de tijolos. Quando fomos informados sobre isso, corremos para nossas casas e também informamos a polícia. O povo de Mukhtar ainda batia os cristãos dentro de suas casas quando a polícia chegou. Apesar da ordem do tribunal, Mukhtar invadiu a terra e nós somos tão impotentes neste assunto.”

O World Watch Monitor perguntou ao chefe de polícia local, Muhammad Idrees, por que não houve prisões. Ele disse que a polícia ainda não recebeu uma denúncia da comunidade cristã e não poderia agir sem uma.
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Tradução World Watch Monitor