Escrito em por . Atualizado em 06/07/2018 10:12h.

downloadNas últimas semanas, a região central da Nigéria registrou uma série de ataques contra cristãos, cometidos por milícias de criadores de ovelha de etnia Fulani. Em resposta aos eventos, a Associação Cristã da Nigéria, representada pelo Rev. Dr. Soja Bewarang, fez um comunicado à impressa, fornecendo mais informações sobre o ocorrido e fazendo um apelo ao governo nigeriano acerca do aumento da violência na região.

De acordo com o Rev. Bewarang, os chamados “confrontos entre fazendeiros e criadores de ovelhas” tem ocorrido com tanta frequência, organização e assimetria, que deixa de se caracterizar como “confronto” e pode ser considerado genocídio.  Isso se dá pelo fato de que os ataques são direcionados especificamente a uma única religião e região.

O comunicado expressa preocupação com os ataques dos criadores de ovelhas, que causaram mais de 6.000 mortes só em 2018. Além disso, afirma que os ataques da milícia visam à “limpeza étnica, grilagem de terras e expulsão forçada dos nativos cristãos de sua terra e herança ancestral”.

Dentre os apelos da Associação Cristã da Nigéria, está o pedido para que o governo reconstrua e proteja as comunidades devastadas, além de evitar o aumento de sequestros e conversões forçadas. Também pede à comunidade internacional, sobretudo às Nações Unidas, que intervenha nos ataques realizados por milícias Fulani, temendo que eles possam se espalhar para outros países africanos.

“O que está acontecendo no estado de Plateau e outros estados seletos na Nigéria é puro genocídio e deve ser interrompido imediatamente”, disse ainda a Associação Cristã da Nigéria. As principais comunidades afetadas são as das Áreas de Governo Local de Barkin Ladi, Bokkos e Riyom (LGAs) do Estado de Plateau.

A continuação da descaracterização da violência da milícia foi abordada durante um debate sobre a violência na Nigéria central em 28 de junho na Câmara dos Lordes no parlamento do Reino Unido. O Lord Chidgey afirmou que, tendo em vista as características dos ataques impetrados contra os cristãos nigerianos, referir-se a esses eventos como meros confrontos entre criadores de ovelhas e agricultares é algo “totalmente inadequado”.

A declaração também reforça a exigência feita anteriormente pelo pelo Governador do Estado de Benue, Samuel Ortom, e pela Associação dos Escritores de Direitos Humanos da Nigéria (HURIWA) para a prisão e julgamento da liderança da Associação de Criadores de Gado da Nigéria (MACBAN), que assumiu a responsabilidade pelos vários ataques. Além disso, a MACBAN  também justificou os assassinatos como retaliação pelo gado assolado por pessoas desconhecidas.

Embora alguns meios de comunicação internacionais tenham procurado caracterizar os assassinatos como um conflito de terras entre grupos comunitários, pastores locais, juntamente com grandes organizações de combate à perseguição religiosa, a exemplo da Open Doors USA e a International Christian Concern, afirmam que os cristãos estão sendo alvejados deliberadamente pelas milícias.

O bispo católico romano William Avenya, de Gboko, declarou que o mundo não pode esperar por um genocídio completo antes de decidir intervir. “Por favor, não cometa o mesmo erro que foi cometido com o genocídio em Ruanda, que aconteceu debaixo de nossos narizes, mas ninguém parou. E sabemos bem como isso terminou”, disse.

Para mais informações sobre isso, escreva para o Secretário Executivo do ANAJURE Refugees, Igor Sabino, em secretaria.refugees@anajure.org.br.

 


Com informações de World Watch MonitorChristian Solidarity Worldwide e The Christian Post