Escrito em por . Atualizado em 25/04/2017 10:42h.

No dia 15 de Abril, pelo menos 12 pessoas foram mortas e muitas outras ficaram feridas em um ataque de militantes Fulani na vila de Asso, Estado de Kaduna, centro da Nigéria.

Nigéria


Um grande número de militantes fortemente armados chegaram à vila por volta das 19 horas (horário local), atacando moradores enquanto eles celebravam a páscoa. Uma fonte não confirmada alegou que os pistoleiros estavam vestidos em trajes militares. Outra pessoa declarou que durante o ataque alguns se gabavam de impedir as celebrações de páscoa. 
Ataques da milícia Fulani à comunidades não muçulmanas nos Estados centrais da Nigéria (Bauchi, Benue, Kaduna, Plateau e Taraba) têm acontecido desde 2010, mas desde Maio de 2015 os Estados têm experimentando com maior frequência intensos ciclos de violência.  

Por mais de um ano o sul do Estado de Kaduna tem sido novamente o principal foco da campanha da milícia, com quatro de oito áreas do governo sofrendo massacres regulares que já culminaram na morte de pelo menos 800 pessoas. O Governo do Estado de Kaduna tem eventualmente implantado tropas e policiais na área desde Dezembro de 2016 para lidar com a violência. Mesmo assim os assassinatos continuaram tendo como alvo os moradores e seus campos.

O ataque em Asso ocorreu apesar da forte presença de seguranças no Sul de Kaduna. De acordo com fontes locais, a maior parte dos policiais e soldados que haviam sido enviados em Dezembro de 2016 haviam sido retirados na Sexta Feira-Santa (21), com exceção de quatro policiais que foram facilmente subjugados pelos atacantes. À medida que a violência continuava, mais policiais e soldados chegaram, mas eles eram superados em número e foram obrigados a se proteger juntamente com os moradores que estavam fugindo.

Em declaração, o governador do Estado de Kaduna, Mallam Nasir el-Rufai, expressou suas condolências aos familiares das vítimas e pediu às agências de segurança para redobrar os esforços e agir com justiça com os criminosos, acrescentando que os serviços de emergência têm sido direcionados para fornecer assistência às vítimas.

Entretanto, uma declaração assinada pelo Reverendo Dr. Joseph Danlami Bagobiri, Bispo da Diocese de Kafanchan e Presidente da Associação de Anciãos Cristãos de Kaduna do Sul, afirma que o governo com seu preconceito étnico e religioso tem contribuído para um agravamento nessas tensões sociais e religiosas: “A responsabilidade primária do governo como consagrador da constituição é a proteção da vida e das propriedades dos cidadãos, independente de sua etnia ou escolha religiosa; alguma violação desse princípio fundamental de contrato social traz controvérsias à real razão pela qual o governo existe. Infelizmente, nosso governo, tanto a nível estadual como federal, tem falhado lamentavelmente, isso tem se dado por sua inabilidade de se erguer acima do seu preconceito étnico e religioso” – afirmou.

Mervyn Thomas, Chefe Executivo da Christian Solidarity Worldwide (CSW), disse: “Mais uma vez nos encontramos mandando condolências à outra comunidade no Sul de Kaduna, que tem sido devastada por uma milícia que apareceu disposta a atacar à vontade e fazer evadir uma extensa presença militar com facilidade. O ataque em Goska nas vésperas de natal de 2016 deveria ter sublinhado a necessidade de se incrementar proteção predominante nas áreas de comunidades cristãs durante datas importantes do calendário cristão. Ainda, em um movimento inexplicável e indesculpável, a contingência de segurança que estava estacionado em Asso foi reduzido significativamente na Sexta-Feira Santa, com previsíveis e trágicas consequências.”

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FONTE: CSW
TRADUÇÃO: Aline Barbosa l ANAJURE