Escrito em por . Atualizado em 16/08/2018 17:55h.

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Enquanto o mundo está se concentrando no sofrimento dos muçulmanos Rohingya em Mianmar, os cristãos, no norte, em Kachin, também estão presos em outro conflito, escreve Geoffrey P. Johnston para o jornal canadense The Whig .

Milhares de pessoas foram mortas e pelo menos 120 mil deslocadas no estado Kachin, majoritariamente cristão, onde o exército e o Kachin Independence Army – KIA (Exército Independente de Kachin) têm lutado desde que os militares tomaram o controle do país em 1962, como informou o World Watch Monitor.

Embora a etnia Kachin busque autonomia, o dinheiro também desempenha um papel nessa questão, diz Johnston, citando Monica Ratra da instituição de caridade cristã Open Doors International. “Os estados de Kachin, Shan e Karen são famosos pelo comércio de madeira de alto valor, jade e ópio, sendo parte do Triângulo Dourado”, disse Ratra a Johnston.

O comércio ilícito poderia beneficiar tanto os militares de Myanmar quanto os rebeldes da KIA e, segundo Ratra, “há até rumores de que eles cooperem tacitamente para não deter o fluxo de dinheiro”.

“Um resultado a longo prazo da perseguição aos Kachin é que os jovens não têm perspectiva de seu futuro”, disse ela. “A educação quase não é possível, o estado não está interessado em educar o povo Kachin e não fornece fundos; houve até relatos de que o exército apoia o tráfico de drogas para os jovens kachin para evitar que eles tomem armas”.

Etnia Karen vivendo em campos de refugiados

Enquanto isso, mais de 100.000 membros de outra tribo étnica majoritariamente cristã, a Karen, estão definhando em campos de refugiados do outro lado da fronteira, na Tailândia, segundo a Fox News .

“Os campos, que estão aqui há gerações, estão repletos de pessoas com depressão, abuso de substâncias e suicídio – um tema tabu na cultura Karen. Os entes queridos muitas vezes se recusam a discutir suicídios, por medo de afligir outro membro da família”, relata a Fox.

Um acordo de paz assinado entre o governo e grupos armados da Karen em 2015 foi rotulado de “superficial”, com as tensões restantes.

Enquanto isso, a ajuda aos campos diminuiu nos últimos anos, quando o governo de Myanmar disse aos doadores internacionais que havia alcançado a paz com a Karen, levando a ajuda a ser canalizada para outras emergências, incluindo a crise de Rohingya.

O coordenador de educação para os campos, Hayso Thako, relatou: “Há uma pressão crescente sobre as pessoas em virtude das reduções [na ajuda]. Os mais velhos, estão aqui há tanto tempo que perderam a esperança de uma vida melhor. Para os jovens, que tiram suas vidas, não há esperança de que eles possam ver”.

O Reverendo Robert Htwa, um dos fundadores de um dos campos e missionário entre os Karen, disse que os cortes no financiamento também tiveram um impacto sobre sua capacidade de oferecer apoio psicológico básico.

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Tradução do site World Watch Monitor