Escrito em por . Atualizado em 16/08/2013 16:23h.

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Um dos líderes Cristãos mais conhecidos da China, Pastor Samuel Lamb, morreu no dia 3 de agosto, em Guangzhou, aos 88 anos.

 

Ele havia sido preso durante uma das primeiras grandes ondas de perseguição na China de Mao, ficou detido de 1955 a 1957, quando as estimativas apontavam o número de cristãos no país em torno de alguns milhões. Lamb, também traduzido do original em chinês como "Lam", foi perseguido pelo governo por causa de sua recusa em unir sua igreja no lar, ilegal, com o Movimento Patriótico das Três Autonomias, da Igreja Protestante regulamentado pelo Estado. As autoridades Chinesas o condenaram uma segunda vez em 1958, quando ele passou 20 anos em campos de trabalho.

O pastor Samuel Lamb viu sua esposa pela última vez durante os cinco meses em que esteve em prisão preventiva; ela morreu em 1977, um ano antes do término da sentença dele. Após a sua libertação, ele retomou seu trabalho como pastor, durante o qual ele foi capaz de testemunhar o crescimento exponencial da Igreja Chinesa.

Em 1979, ele começou sua igreja nos lares em 35 Da Ma Zhan, em Guangzhou. A frequência cresceu rapidamente e ele teve que mudar sua congregação para um prédio maior, na mesma cidade. Hoje sua igreja nos lares urbana ainda não é registrada, mas tolerada pelas autoridades.

Samuel Lamb se tornou um exemplo para milhões de crentes na China, onde as estimativas dizem que hoje já existem cerca de 80 milhões de cristãos – Algumas estimativas afirmam que um décimo da população é Cristã.

Sua história e determinação também inspirou e encorajou milhões de Cristãos fora da China; um livro sobre ele chegou a ser publicado nos Estados Unidos.

 

Histórico

Samuel Lamb (ou Lin Xingiao em Chinês) nasceu em 1924, de pais Cristãos Chineses, em uma área montanhosa com vista para Macau, na costa sul da China continental.

Seu pai pastoreava uma pequena Igreja Batista, logo Lamb foi criado como Cristão. Ele pregou a primeira vez quando tinha 19 anos.

Ele foi preso pela primeira vez em 1955; sua sentença durou quase 18 meses. Em 1958, ele foi novamente preso e acabou atrás das grades por 20 anos.

O governo costumava proibir líderes Cristãos de pregar sobre a segunda vinda de Cristo e ensinar menores de 18 anos de idade.

A teologia de Lamb desafiou o governo e os participantes de sua igreja, bem como outros Cristãos dentro e fora da China.

Ele ensinou que os Cristãos devem obedecer ao governo, a menos que os líderes se opusessem diretamente a Deus com a aplicação de sua lei. "As leis de Deus são mais importantes que as leis dos homens", ele costumava dizer.

O sofrimento desempenhou um papel importante em muitos dos sermões de Lamb. Ele era famoso por repetir: "Mais perseguição, mais crescimento". Essa frase não tinha apenas a ver com o número de crentes, mas também com o crescimento espiritual.

Lamb viu que a China mudou nas últimas décadas e que aos cristãos é concedida agora mais liberdade. Ele ainda queria ter certeza que os Cristãos não assumiriam facilmente que nada vai acontecer com eles. Apesar de sua congregação ainda ser ilegal, ela não foi invadida por anos, mas ele sempre se manteve cauteloso sobre o governo.

Ele sempre avisou: "Temos de estar preparados para sofrer. Devemos estar preparados para o fato de que podemos ser presos. Antes de ser enviado para a prisão já preparei uma mala com algumas roupas, sapatos e uma escova de dentes. Quando eu tinha que ir para a delegacia de polícia, eu poderia simplesmente buscá-la. Eu estava pronto. As pessoas ainda estão sendo presas. Você não sabe o que vai acontecer amanhã. Hoje, as autoridades não estão nos incomodando, mas amanhã as coisas podem ser diferentes. Oro para que recebam a força para se manter firme."

Para chegar à igreja do Pastor Lamb, em Guangzhou hoje, você tem que ziguezaguear pelas ruas estreitas da cidade. Não é uma igreja isolada, mas simplesmente um bloco de casas de três andares. Em um bloco vizinho, mais dois andares também servem como parte da igreja.

Sua memória costumava ocasionalmente deixá-lo para baixo, mas com um largo sorriso no rosto, ele recebia regularmente os visitantes internacionais à sua igreja nos lares: viajantes, jornalistas, cônsules e outras pessoas de alto escalão.

Sua morte deixa uma lacuna na Igreja Chinesa. Juntamente com outras figuras de renome como Wang Mindao e Allen Yuan, ele simbolizava a bravura de uma Igreja que cresceu a uma velocidade sem precedentes na história mundial.

Muito tempo depois de sua morte será dito em muitas igrejas que mais perseguição só tem um resultado: mais crescimento.

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FONTE: WORLD WATCH MONITOR
TRADUÇÃO: ROMULO MOURA