Escrito em por . Atualizado em 16/02/2018 09:02h.

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[Padre Ván Añorve Jaimes e Padre Germain Muñiz García / Diocese de Chilpancingo-Chilapa]

No dia 5 de fevereiro de 2018, os padres Ván Añorve Jaimes e German Muñiz Garcia, foram assassinados enquanto viajavam pela rodovia federal de Taxco-Iguala, no estado de Guerrero, México, depois de participarem de um festival religioso em comemoração à Virgem da Candelaria, na cidade de Juliantla. Homens armados atacaram o veículo em que os padres estavam viajando e dispararam contra eles. Outros três sacerdotes que também estavam no veículo ficaram feridos. Não houve motivo aparente para o fato, no entanto, o ataque a líderes cristãos têm se tornando frequentes no México.

guerrero_priests_killed_mexico_2.jpg_1718483346[Detalhe do caminhão em que os padres estavam viajando, quando pessoas armadas atiraram / 5 de fevereiro de 2018 | Foto: EFE]

O procurador do Estado de Guerrero afirmou que um dos sacerdotes tinha vínculos com grupos armados ilegais e que as vítimas tinham algum nível de responsabilidade para o ataque. Entretanto, o bispo de Chilpancingo-Chilapa, bispo Salvador Rangel Mendoza, emitiu uma forte condenação sobre as declarações do procurador, dizendo: “Confirmamos mais uma vez que o padre Germain Muñiz Garcia nunca esteve ligado a nenhum grupo criminoso. Por causa da natureza de seu trabalho pastoral, ele estava ciente de suas operações na área, como padre e figura pública, ele teve que viajar para áreas onde estão presentes para ministrar as diferentes comunidades lá… Se o Procurador do Estado afirma que o Padre Germain Muñiz Garcia estava ligado a algum grupo criminoso, pedimos-lhes que diga a qual grupo criminoso ele pertencia e não simplesmente apontar os dedos.”

A conferência Episcopal Mexicana também condenou as declarações do promotor do estado de Guerrero e confirmou que nenhum dos sacerdotes tinha vínculos com grupos criminosos ilegais. De acordo com a Christian Solidarity Worldwide (CSW), em 2017 o México manteve sua classificação como o país mais perigoso do mundo para sacerdotes católicos, com quatro assassinados. O estado de Guerrero viu alguns dos maiores números de padres mortos, com um total de sete desde 2009, incluindo os últimos assassinatos de fevereiro de 2018.

O motivo para os ataques está relacionado ao crime organizado. Os padres são vistos como uma ameça por pregarem “contra a injustiça, a violência, o tráfico de drogas, ao mesmo tempo que influenciam suas comunidades”, disse Omar Sotelo, do Centro Multimídia Católico do México.

De acordo com World Watch Monitor (WWM), “os cristãos também são alvo devido à percepção de que as igrejas e seus líderes têm muito dinheiro, de modo que as congregações oferecem uma fonte pronta de dinheiro – os cartéis podem simplesmente entrar, fechar as portas e pedir à congregação que esvazie seus bolsos.”

Na lista de 2018, o México ocupa o 39º lugar no ranking dos países mais hostis ao cristianismo, segundo a organização Portas Abertas. Em abril de 2017, o analista Dennis Petri disse ao WWM,  que “é importante não olhar tanto em sua identidade como cristãos, mas mais em seu comportamento que resulta de suas convicções cristãs. Sempre que um cristão começa a se envolver no trabalho social – por exemplo, criar uma clínica de reabilitação de drogas ou organizar o trabalho juvenil, isso é uma ameaça direta às atividades e interesses do crime organizado, porque leva os jovens longe deles, por isso é uma ação direta ameaça ao seu mercado.”

 

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Por: Redação l ANAJURE
Fontes: Christian Solidarity Worldwide (CSW), World Watch Monitor (WWM), Portas Abertas, Catolic new agency (CNA), Chuch in Need.