Escrito em por . Atualizado em 03/07/2018 10:16h.

Moradores de Deraa deslocadas pela guerra (Foto: Alaa Al-Faqir/ Reuters)

Moradores de Deraa deslocadas pela guerra (Foto: Alaa Al-Faqir/ Reuters)

 

Com a intensificação dos conflitos da Guerra Civil Síria, já em seu sétimo ano de duração, o número de deslocados internos na Síria tem aumentado de forma significativa nos últimos dias, sobretudo no sul do país. Os moradores da região têm sido forçados a abandonarem suas casas e estão buscando abrigo próximo à fronteira com Israel, nas colinas de Golã, território sírio capturado por Israel em 1967, como consequência da Guerra dos Seis Dias.

No ano passado, a Rússia, os EUA e a Jordânia assinaram um acordo de cessar-fogo que cobria o sul da Síria. No entanto, em meados de junho, o regime sírio, com o apoio do poder aéreo russo, iniciou uma grande ofensiva contra os rebeldes sírios no sul, gerando o deslocamento forçado de cerca de 160 mil sírios, residentes das áreas de combate próximos a Deraa.

Desde a última quinta-feira (28/06), em resposta a esses deslocamentos, as Forças de Defesa de Israel (Israeli Defense Forces – IDF) tem realizado uma série de ações de ajuda humanitária para atender às necessidades dos deslocados internos sírios. Dentre elas, a distribuição de cerca de 300 tendas, 13 toneladas de alimentos, 15 toneladas de alimentos para bebês, três remessas de suprimentos médicos e 30 toneladas de roupas e sapatos. Uma série de acampamentos foi montada na área, mas há falta de acesso a água potável, eletricidade e outras necessidades básicas.

Em um vídeo postado na sexta-feira (29/06), alguns dos sírios pedem a Israel que os proteja e que a ONU retorne às áreas de patrulha ao longo da fronteira.

Apesar da ajuda humanitária oferecida, Israel afirmou que não permitirá que os deslocados internos sírios cruzem a fronteira israelense em busca de refúgio.  O ministro da Defesa, Avigdor Liberman, disse que Israel estava “preparado para prestar assistência humanitária a civis, mulheres e crianças”, mas enfatizou que “não aceitaremos nenhum refugiado sírio em nosso território”.

As autoridades israelenses nas Colinas de Golã lançaram uma campanha pedindo que os moradores locais doem brinquedos, jogos e roupas para os sírios desalojados.  Um panfleto listando mais itens que podem ser doados foi enviado a moradores da região. A coleta ocorrerá nos próximos dias nas várias comunidades da região e, sem seguida, serão transferidos para os militares, que os distribuirão com os sírios, afirmou Eli Malka, chefe do Conselho Regional de Golã.

Além de ajuda com alimentos, roupas e remédios, o IDF também transportou seis cidadãos sírios feridos para tratamento em um hospital local de Israel. Quatro deles eram recém-órfãos. “Esses são nossos vizinhos e consideramos uma mitsvá [dever religioso judaico] ajudá-los em sua hora de necessidade”, disse Malka.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a Síria é o país do mundo com o maior grupo populacional em situação de deslocamento forçado. Estima-se que 12, 6 milhões de sírios estejam nessas condições, sendo 6.3 milhões de refugiados, 146.700 requerentes de refúgio e 6,2 milhões de deslocados internos.

Apenas a Jordânia, outro país vizinho da Síria, já hospeda cerca de 660 mil refugiados sírios. Por isso, afirma que não pode aceitar a entrada de mais sírios, fechando sua fronteira, apesar dos apelos dos grupos de ajuda humanitária.

Para saber mais informações sobre isso, escreva para o Secretário Executivo do ANAJURE Refugees, Igor Sabino, em secretaria.refugees@anajure.org.br.


Com informações de The Jerusalem Post e The Times of Israel