Escrito em por . Atualizado em 21/09/2017 11:09h.

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[Milhares de muçulmanos de toda a Indonésia foram às ruas para protestar contra o ex-governador de Jacarta, Basuki Tjahaja Purnama (‘Ahok’), em 4 de novembro de 2016. Ahok foi julgado por ter insultado o Islã quando citou um verso do Alcorão e está agora na prisão por blasfêmia. (Foto: World Watch Monitor)]

Ahok, ex-governador de Jacarta, foi preso por ter insultado o Islã quando citou um verso do Alcorão (Veja aqui). “A sua eleição e julgamento expuseram a crescente radicalização na Indonésia, especialmente entre os jovens, e levou a uma campanha mais agressiva para enfrentar o radicalismo islâmico” é o que afirma Paul Marshall em seu artigo (leia em inglês) para o Lausanne Movement.

O crescimento deste radicalismo islâmico tem se dado pelo desempenho da Arábia Saudita em oferecer uma rede bem financiada de escolas, bolsas e mesquitas. A tentativa é de substituir as interpretações locais do Islã, que geralmente incentivam a democracia e as relações pacíficas entre religiões, pelo wahhabismo, forma rígida e conservadora do islamismo e que é a religião oficial da Arábia Saudita.

De acordo com Paul Marshall, a Arábia Saudita tem estabelecido mais de 150 mesquitas na Indonésia desde 1979, providenciando livros escolares, trazendo seus próprios pregadores e professores e financiando milhares de bolsas de estudo para pós-graduação na Arábia Saudita.

“Alunos das universidades sauditas se tornaram influentes em círculos extremistas”, acrescenta Marshall. “Eles incluem Habib Rizieq, o fundador da Frente dos Defensores Islâmicos, e Jafar Umar Thalib, que fundou a milícia anti-cristã Laskar Jihad”.

“O governo indonésio respondeu ao risco de aumento do extremismo proibindo os grupos islâmicos radicais e introduzindo novas regras para impedir a disseminação de pontos de vista radicais em suas universidades”, observa Marshall.

Mas, segundo informações divulgadas pelo Human Rights Watch, os estudantes das escolas da Arábia Saudita recebem educação que contém ódio e linguagem provocativa contra outras tradições islâmicas que não sejam Sunita e fazem severas críticas aos judeus, cristãos e pessoas de outras crenças (veja aqui).

Como parte de um esforço para combater o aumento de extremismos e intolerância religiosa no país, o governo da cidade de Jakarta e a maior organização islâmica na Indonésia, Nahdlatul Ulama (NU), têm reunido forças para treinar e educar pregadores islâmicos para espalhar mensagens de união e paz, segundo afirma a agência de notícias católica UCANews. De acordo com o governo de Jacarta, “a meta do programa que começa em Novembro com 1000 pregadores, é instruí-los a ‘passar os ensinos islâmicos apropriados e um islã tolerante’”.

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Fonte: World Watch Monitor
Por: Redação l ANAJURE