Escrito em por . Atualizado em 08/06/2018 17:44h.

tehmina-387[Tehmina Arora addresses conference (World Watch Monitor)]

Na Índia, em uma conferência para marcar quatro anos de governo liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, dezenas de oradores pediram uma ação conjunta para defender a Constituição e os direitos fundamentais do país. O motivo é o crescente nacionalismo hindu que tem fomentado a perseguição contra a minoria cristã. “Eles [nacionalistas hindus] nos demonizam e nos atacam: 2017 registrou um aumento de 20% no número de atrocidades contra os cristãos”, disse Tehmina Arora, advogada e diretora do grupo de direitos humanos ADF India.

De acordo com o professor Ganesh Narayan Devy,  estudioso da diversidade religiosa e linguistica no país,   “há uma grave ameaça à pluralidade […] estamos vivendo em um momento em que você é questionado sobre a comida que você come, sobre o deus que você cultua e classifica como anti-nacional por expressar uma visão diferente [contrária ao nacionalismo hindu]”, disse ele.

No mês de maio, a mídia indiana foi tomada por um debate sobre o “patriotismo”  dos cristãos. O motivo foi a campanha lançada pelo arcebispo católico Anil Couto de Delhi que enviou uma carta  pastoral à sua comunidade para lançar uma campanha de oração pela nação. A carta pedia para que os cristãos orassem pelo país a partir do dia 13 de maio, e jejuassem toda sexta-feira. ” É nossa prática consagrada orar pelo nosso país e seus líderes políticos o tempo todo, principalmente quando nos aproximamos das eleições gerais [em 2019] ”, escreveu o arcebispo. No entanto nem metade da população de 20 milhões de Nova Délhi é católica.

Algumas grandes redes de mídia responderam acusando o arcebispo e os cristãos em geral de serem contra o primeiro ministro . O ministro do Interior do país, Rajnath Singh,advertiu em 21 de maio que “ninguém deveria falar para mobilizar o povo do país com base na religião”. Porém,  a jornalista Teesta Setalvad falou que a mídia “tem uma agenda”, e indagou: ” A carta do arcebispo é discutida por horas na mídia, que crime ele cometeu?”.  Tehmina Arora,  questionou a situação e disse: “olhe para a confusão sobre o chamado do arcebispo [de Delhi] para a oração pela nação. As igrejas são para oração e, se os cristãos não podem orar, o que eles podem fazer? ”

Narendra Modi foi ministro-chefe do Gujard durante os confrontos anti muçulmanos que mataram mais de mil pessoas em 2002. Harsh Madar, ex funcionário da elite do Serviço Administrativo Indiano, deixou seu trabalho ainda em 2002 para protestar contra a suposta convivência do governo BJP nos ataques, e disse: “Sua identidade é uma fonte de grande medo – para as minorias”. O debate na conferência sobre mídia indiana coincidiu com o relatório produzido pelo correspondente da BBC, Justin Rowlatt, sobre o sul da Ásia.

Justin Rowlatt  percebeu que uma operação realizada por uma agência de notícias chamada Cobrapost, mostrou que existe um grupo dentro da mídia que está disposto a criar fake news e modifcar as notícias,  a fim de que se  possa defender a agenda política de determinado partido político. “A agência alegou que outras organizações do país estavam dispostas a “não apenas causar desarmonia comunal entre os cidadãos, mas também interferir  no resultado eleitoral em favor de um partido em particular – e tudo em troca de dinheiro”, escreveu Rowlatt. Contudo, ele afirma que ações como essa nem sempre dão certo e que podem ser facilmente descobertas.

Para o Dr. Uziel Santana, presidente da ANAJURE, “esse caso mostra o impacto que as fake news têm tido no casos de perseguição aos cristãos  e a importância de que os governos se comprometam com a proteção das minorias religiosas e a promoção da liberdade religiosa, principalmente na Índia, que é a democracia mais populosa do mundo. Portanto, é imprescindível que o governo indiano tome as medidas cabíveis para lidar com esta questão”.

Para mais informações sobre esse caso, escreve para o Secretário Executivo do ANAJURE Refugees, Igor Sabino, em secretaria.refugees@anajure.org.br

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Com informaçãos do World Watch Monitor

Redação / ANAJURE