Escrito em por . Atualizado em 11/05/2018 09:20h.

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Uma grande quantidade de pesquisas mostra que o nível de liberdade religiosa de uma sociedade está ligado a seus níveis de indicadores sociais críticos, como prosperidade, estabilidade e paz, disse o presidente da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA aos parlamentares britânicos.

O Dr. Daniel Mark, presidente da USCIRF, uma comissão federal independente e bipartidária do governo dos EUA, disse, na semana passada, ao Grupo Parlamentar All Party para a liberdade religiosa internacional, em uma reunião nas Casas do Parlamento, que a liberdade religiosa era “um pré-requisito para a democracia, e não o contrário”.

Ele acrescentou: “Estamos em uma junção crítica em nossa luta pela liberdade de religião ou crença em todo o mundo”.

Não apenas existem dados para comprovar a importância da liberdade religiosa, mas também há “crescimento, além das ONGs, das organizações nacionais e internacionais comprometidas com essa questão”, disse ele.

Outra razão para “aproveitar este momento” para melhorar a liberdade religiosa globalmente, disse ele, “é a ascensão do autoritarismo em muitos lugares do mundo”.

Ao mencionar a China, o presidente da USCIRF apontou que sua “sinicização da religião” mostrou como a liberalização econômica não leva necessariamente a mais liberdade política.

Ele também foi crítico da Rússia. “A Rússia [de Vladimir] Putin continua a estabelecer o padrão para sua região, elevando a barreira da repressão religiosa com medidas até então imprevistas, como a primeira proibição nesse país de um grupo religioso inteiro como as Testemunhas de Jeová”, afirmou Mark, ressaltando como outros antigos estados soviéticos, a exemplo do Cazaquistão, estão fazendo movimentos semelhantes.

“Bastião contra o totalitarismo”

Ele alertou também para o aumento dos casos em que as exigências da segurança nacional servem de pretexto para negar a liberdade religiosa. “Sabemos que é uma desculpa porque é usada contra tantos grupos que não podem ser interpretados como ameaças terroristas”, disse ele.

“Liberdade religiosa não é apenas correta, mas também é parte do interesse de regimes que desejam manter a estabilidade”, argumentou, acrescentando que a opressão que os regimes autoritários perpetram para manter a paz supostamente tem o efeito oposto, gerando ressentimento e resistência.

Os ditadores, ele continuou, resistem à liberdade religiosa porque ela “age como um bastião contra o totalitarismo”, ensinando às pessoas que suas “vidas inteiras não pertencem ao estado, que existe um reino de vida além do alcance do estado”.

Ele acrescentou que a liberdade religiosa também abre a porta para outras liberdades como expressão, reunião e associação – e talvez não seja surpresa que a liberdade religiosa seja o direito, talvez mais do que qualquer outro, pelo qual as pessoas estão mais dispostas a sofrer e morrer.”

Ele disse que isso tornou a liberdade religiosa fundamental para todo o conceito de direitos humanos.

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Fonte: World Watch Monitor

Tradução: Igor Sabino