Escrito em por . Atualizado em 26/04/2017 12:07h.

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[FOTO: Igreja em construção no centro da Etiópia / novembro de 2016 / World Watch Monitor]

O estado de Tigray, norte da Etiópia, está considerando a adoção de uma nova lei que restringe as atividades cristãs apenas às instalações oficiais das igrejas, tornando ilegais as atividades de igrejas de menor porte que não possuem seus próprios templos e se reúnem em casas.

Se aprovada, a lei afetará principalmente cristãos de fora da Igreja Ortodoxa da Etiópia, porque toda igreja que almejar obter sua própria terra tem que comprovar que possui, no mínimo, 6 mil membros – um número superior à população total de cristãos não-ortodoxos no estado. A lei também proíbe cristãos de evangelizarem fora das instalações das igrejas.

Líderes das igrejas locais expressaram suas preocupações sobre a lei mas ainda não receberam resposta do governo.

Uma lei similar foi recentemente ratificada no estado vizinho, Amhara, que, juntamente com Tigray, é o território com a maior parte dos membros da Igreja Ortodoxa da Etiópia;  líderes das igrejas locais temem que outros estados copiem essas ações.

População protestante crescente

Ao decorrer da última década, o mapa das religiões da Etiópia mudou consideravelmente. Por séculos, a Etiópia, que alguns alegam ter sido a primeira nação do mundo a aceitar o Cristianismo, consistia em um corpo Etíope Cristão Ortodoxo, uma zona Islâmica Sunita no leste e uma área de fé animista/indígena no sul e em algumas áreas mais distantes, ao oeste. Nos últimos 10 anos a fé indígena diminuiu, na maioria das vezes migrando para o Cristianismo Protestante, o qual é considerado o grupo religioso de maior crescimento na Etiópia. Isso está fazendo com que o país seja abrigo de “uma das igrejas evangélicas de crescimento mais acelerado no mundo”, escreveu o teólogo Allan Anderson, em 2014.

Alguns antigos membros da Igreja Ortodoxa também se tornaram Protestantes, criando tensão entre essas duas comunidades.

Enquanto o cada vez mais controlador governo etíope busca instituições religiosas mais restritas, para prevenir dissuasão, cristãos também enfrentam opressão dos membros da família e da comunidade local em outras partes do país, a exemplo das regiões de Afar e Somali, nas quais a etnicidade e o Islã estão interconectados.

Um exemplo disso é a história de Tutu, uma viúva, e seu filho Biruk*, que moram em uma comunidade dominada por islâmicos, no estado de SNNP, no sudoeste, e tem enfrentado problemas desde que o esposo de Tutu faleceu, há 18 meses.

Depois de seu funeral, muçulmanos da região desenterraram seu corpo e jogaram-no à beira da estrada. Em janeiro, Biruk foi agredido e avisado que a sua mãe continuaria a enfrentar problemas até que ambos se convertessem ao Islã. Em 4 de março, a casa deles foi incendiada.

A história de Tutu e Biruk não é incomum. No geral, ataques aos cristãos na Etiópia parecem estar se tornando mais frequentes. De acordo com relatórios recebidos pelo World Watch Monitor, somente no mês de março, ocorreram 11 ataques a cristãos, afetando aproximadamente 250 pessoas.

O sistema judicial, por vezes, também atua contra os cristãos na Etiópia, particularmente em áreas em que eles são minoria. Em fevereiro, por exemplo, três cristãos foram falsamente condenados e presos por incendiar o templo de uma Igreja Ortodoxa na comunidade rural de Gulema Iyesus. Em  maio de 2014, os mesmos foram absorvidos pela Suprema Corte e libertos, mas foram  intimados a pagar pelo prejuízo à igreja, valor equivalente a mais de US$40.000 na época da sentença.

* Nomes alterados por motivos de segurança

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FONTE: World Watch Monitor
TRADUÇÃO: Raíssa Silveira e Aline Barbosa l ANAJURE