Escrito em por . Atualizado em 16/06/2017 12:12h.

eritrea-mapSegundo a Christian Solidarity Worldwide (CSW), 122 cristãos eritreus foram presos em Maio deste ano, fato constatado após um levantamento sobre membros de denominações não registradas em vários locais do país.

As prisões marcam uma nova fase na repressão que foi iniciada em Maio de 2002, quando o governo Eritreu proibiu efetivamente práticas religiosas não filiadas às denominações cristãs católicas, evangélicas luteranas e ortodoxas ou ao islamismo sunita, pertencentes ao governo.

Quarenta e cinco cristãos, incluindo famílias inteiras, homens idosos e uma mulher com deficiência, foram retirados de suas casas na cidade de Adi Quala, no sul do país, e transportados para o campo de detenção de Adi Aglis. Já na cidade de Guindae, quinze cristãos foram presos, enquanto que outros foram forçados a fugir, devido a uma operação em curso na região.

No distrito de Godaif, capital de Asmara, 17 cristãos foram presos em 28 de maio de 2017. Outros quarenta e cinco, principalmente mulheres, haviam sido pegos uma semana antes em outra parte da cidade quando se reuniram em uma festa organizada para um recém-casal. Outras prisões são antecipadas à medida que os comitês distritais locais continuam as investigações de casa em casa. Os cristãos na cidade começaram um período de oração e jejum para a paz e a segurança.

Em seu último relatório ao Conselho de Direitos Humanos (CDH), Sheila B. Keetharuth, Relatora Especial das Nações Unidas na Eritreia, observou que “a prática de prisão e detenção arbitrária de indivíduos com base em suas crenças religiosas continua” e fez menção a prisões anteriores em Guindane e Adi Quala, bem como a detenção contínua do Patriarca Antonios da Igreja Ortodoxa Eritreia. Entre as recomendações do relatório há um apelo à libertação imediata e incondicional de “todos aqueles detidos ilegal e arbitrariamente, incluindo membros do G-15, jornalistas e membros de grupos religiosos”.

Segundo Mervyn Thomas, Chefe Executivo da CSW, “Essas prisões significam uma intensidade renovada na repressão que está em andamento desde 2002 e são uma clara indicação de que a severa repressão da liberdade da religião e crenças continua inalterada na Eritreia.” Thomas ainda disse que no seu último relatório, a Relatora Especial da ONU observou que a Eritreia ignorou a maior parte das recomendações dos seus relatórios anteriores, e as feitas pela Comissão de Inquérito não foram atendidas.

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Com informações da CSW
Por: Redação l ANAJURE