Escrito em por . Atualizado em 10/05/2018 16:06h.

Uma cristã copta que estava casada há duas semanas desapareceu de sua escola na última quarta-feira, provocando temores de que ela tenha sido sequestrada. Seu desaparecimento eleva para oito o número de mulheres coptas no Egito desaparecidas desde abril, segundo pesquisa da World Watch Monitor.

Vivian Adel Youssef, de 18 anos, da aldeia de Dafsh, na província de Minya, casou-se com seu primo Hanna Emad, em 19 de abril, e mudou-se para a aldeia dele, em Minya. Antes disso, eles estiveram noivos por dois anos, disse seu marido, Hanna, ao World Watch Monitor.

Em 2 de maio, Emad levou Vivian para sua escola secundária de comércio (para estudantes de 16 a 18 anos) na cidade de Samalut, para que ela pudesse fazer algumas exercícios em preparação para a sua próxima prova, enquanto Emad saía para ir às compras. Ele havia combinado de ir buscá-la mais tarde.

“Depois que terminei minhas compras, liguei para Vivian e pedi a ela que esperasse por mim na frente da escola”, disse Emad. “Quando cheguei à escola, não a encontrei lá. Seu celular estava desligado. Eu procurei por ela em todos os lugares – em sua escola, nas ruas próximas, nos hospitais de Samalut – mas eu não a encontrei. Eu verifiquei com parentes e amigos dela, mas nenhum deles a viu naquele dia.”

No dia seguinte, 3 de maio, Emad prestou uma queixa acerca do desaparecimento de sua esposa na delegacia de Samalut, mas não recebeu nenhuma informação sobre ela até o presente momento. No Egito, uma pessoa não pode ser considerada desaparecida a menos que seu paradeiro seja desconhecido por mais de 24 horas.

O desaparecimento da mulher segue-se a uma série de incidentes semelhantes, levantando receios de uma nova onda de sequestros de mulheres coptas que tem causado medo nas comunidades cristãs minoritárias do Egito.

“Nós nos amamos muito”, disse Emad ao World Watch Monitor. “No dia do nosso casamento todos nós ficamos muito felizes. Depois do nosso casamento passamos um tempo muito feliz – duas semanas”. Ele afirmou que não acreditava que ela teria fugido. “Não houve qualquer discussão entre nós. Tenho certeza de que Vivian foi sequestrada. “Ela é muito religiosa e tem um relacionamento muito forte com Deus, e me ama muito”, acrescentou.

O sacerdote da Igreja Ortodoxa Copta Mar Girgis, na aldeia de Vivian, Pe. Basilious Younan, afirmou acerca do relato do marido de Vivivan: “Vivian era uma dos bons membros da nossa igreja”, disse ele. O padre relembrou uma conversa que Youssef teve com ele antes de se casar com Emad. “Ela me falou antes que amava muito o seu noivo, Hanna, e dizia coisas boas sobre ele, que estava muito feliz por se casar com ele”, disse Younan ao World Watch Monitor. Ele afirmou que visitou Youssef em sua nova casa depois do casamento e que ela parecia feliz com o marido.

Em um outro incidente, uma menina cristã copta de 16 anos, Mirna Malak Shenouda, relatou que havia sido sequestrada por duas mulheres e um homem em Aswan, no Alto Egito. Ela conseguiu escapar de seus sequestradores, disse seu pai Malak Shenouda ao World Watch Monitor. A família da garota não informou sua falta porque ela voltou para casa em 24 horas.

Malak Shenouda disse que sua filha partiu em direção à Igreja Ortodoxa Copta Anba Shenouda em 4 de maio, e quando ela não retornou uma hora depois, como esperado, a família começou a ligar para ela, mas as ligações para seu celular não conectaram. Padres e jovens disseram a Shenouda que Mirna não estava lá naquele dia.

Mais tarde, Mirna disse a sua família que duas mulheres e um homem em um tuc-tuc, ou um auto-riquixá, pulverizaram fortes anestésicos em seu rosto quando ela estava a caminho da igreja. Depois de sequestrá-la e fugirem do local, eles pegaram o trem para o Cairo. Quando Mina acordou no trem, ela fingiu estar inconsciente e fez um plano para escapar. Quando o trem parou na estação mais próxima, ela rapidamente desceu do trem e deixou seus sequestradores para trás.

Uma vez que o telefone de Mirna havia sido tomado, ela ligou para a sua família do telefone de outra pessoa para informá-los onde estava e eles vieram atrás dela.

O Bispo Anba Hedra, da Catedral do Arcanjo Miguel, em Aswan, telefonou para a família para parabenizá-los pelo retorno seguro de Mirna e os convidou para a catedral para celebrar seu retorno juntos.

Outras mulheres coptas desaparecidas desde abril de 2018

 

23 de abril – Mirna Emil Yousef, 20, da vila de Kafr Samari, província de Sharqia, foi para a Universidade de Zagazig para um exame e não voltou para casa. Sua família acusou um dos colegas muçulmanos de Mirna de sequestrá-la.

15 de abril – Briskam Raafat Mikhail Maher, uma estudante de escola secundária da vila de Hejaza Kebly, província de Qena, foi sequestrada por um homem muçulmano que havia participado do sequestro de sua mãe dez anos antes, a família dela disse.

10 de abril – Meray Girgis Sobhi, uma aluna do segundo ano da Universidade Sohag, pegou um tuc-tuc na frente de sua casa em Tahta, na província de Sohag. Ela deveria ir para a universidade, em seguida, visitar um professor particular e voltar para casa, mas nunca o fez, disse seu pai ao World Watch Monitor.

8 de abril – Rasha Khalaf Thabet Aziz, uma aluna da escola secundária do vilarejo de Ezbet Hafez, na província de Beni Suef, voltava para casa após uma visita à avó, no dia da Páscoa Ortodoxa, quando foi sequestrada. Uma testemunha disse à sua família que três homens mascarados empurraram a garota dentro do carro com força e fugiram.

8 de abril – Hoda Atef Ghali Girgis, 18 anos, de Imbaba, província de Gizé, foi à Igreja Ortodoxa Copta de St. Mary e St. Michael para uma festa de Páscoa. Após a festa, ela pegou um tuc-tuc na frente da igreja para voltar para casa, mas nunca o fez, disse seu pai, Atef Ghali Girgis, ao World Watch Monitor.

7 de abril – Christine Lamie, 26, desapareceu depois de ser ameaçada no Facebook por alguém que ela não conhecia. Lamie, mãe de dois filhos da província de Qalyubia, no nordeste do Egito, foi trabalhar na Autoridade de Status Civil em Banha, mas nunca retornou, segundo seu marido, Bahaa Girgis.

5 de abril – Mary Adly Milad, 40 anos, mãe de três filhos da Al-Borgaiya, na província de Minya, tomou um táxi para voltar para casa do trabalho em uma clínica particular na cidade de Minya. Ela não retornou e seu celular foi desligado, disse a família.

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Fonte: World Watch Monitor

Tradução: Igor Sabino