Escrito em por . Atualizado em 11/08/2017 16:08h.

 

joseph-sideO soldado foi morto no mesmo regimento em que outro copta também morreu misteriosamente em novembro de 2015.

Terminado seu treinamento no exército, Joseph Helmy, de 22 anos, foi reportado para servir na unidade das Forças Especiais de Al-Salaam (na estrada do deserto do Cairo-Ismailia) às 14 horas do dia 19 de julho. Seis horas depois, ele foi levado para o hospital e lá foi declarado morto.

Oficiais do exército alegaram que ele morreu de um ataque epiléptico. Contudo, a família do rapaz diz que ele nunca teve antecedentes de convulsões e que todo o seu corpo estava coberto de hematomas. Um relatório do hospital disse que os ferimentos em seu corpo apontaram para um ataque “criminoso”.

Quatro soldados foram presos por suspeita de terem agredido a Helmy. A família, porém, insiste no desejo de que os homens sejam condenados por assassinato e não por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), porque acreditam que a intenção dos soldados foi matá-lo. Em 24 de julho, em depoimento no tribunal, os soldados testemunharam que estavam agindo sob a instrução de seu oficial de supervisão, o capitão Mohammad Turk, mas ele não foi acusado devido a “falta de provas”.

O pai de Helmy, Reda, disse que a família ficou chocada quando viu o corpo do rapaz tão brutalizado. “Seu corpo tinha numerosas feridas e contusões em vários lugares – abaixo do pescoço, tórax, lados, abdômen, genitália, joelhos, pés – e ferimentos nas costas, indicando que ele havia sido arrastado pelo chão”, disse ele. “[…] meu filho não foi morto por terroristas do EI, ele foi morto por terroristas de dentro da instituição estadual, que tem como alvo nossos filhos por causa de sua identificação religiosa.”

Um advogado que atua em nome da família, Ramses Al-Nagar, apontou as semelhanças entre a morte de Joseph Helmy e a de Bishoy Kamel, que morreu em novembro de 2015 na mesma unidade.”Há alguns terroristas nesta unidade que tentam matar os recrutas por causa de sua identificação religiosa”, disse Al-Nagar ao World Watch Monitor. “Claramente, nenhuma ação decisiva foi tomada para evitar qualquer ataque a um novo recruta cristão desde que Bishoy foi morto dentro desta unidade,”.

Joseph Helmy foi enterrado no cemitério da família em Kafr Dawish no dia 21 de julho. Dez dias depois, o comandante da unidade das Forças especiais de Al-Salaam, Ahmed Gamal visitou a família, oferecendo suas condolências e assegurando-lhes que “ninguém está acima da lei no Egito”.

Sobre o fato, Yonas Dembele, analista da World Watch Research, unidade de pesquisa da Open Doors, disse: “Este incidente confirma os relatos sobre o abuso de cristãos no exército egípcio e é uma indicação da hostilidade e assédio que os cristãos enfrentam em vários setores da sociedade egípcia . Embora este seja um exemplo extremo, é um sintoma da vulnerabilidade geral dos cristãos egípcios aos maus-tratos em diferentes áreas. O fato de as autoridades terem prendido os soldados é uma evolução muito positiva. No entanto, ainda existe a possibilidade de que eles não sejam responsabilizados.”

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Fonte: World Watch Monitor
Por: Redação l ANAJURE