Escrito em por . Atualizado em 27/02/2019 11:17h.

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Propaganda do governo cubano a favor do voto “sim” para o referendo constitucional – [REUTERS/Stringer]

Líderes religiosos em Cuba tem sido intensamente pressionados pelos oficiais do governo para assegurar que suas congregações votem ‘‘sim’’ no referendo sobre uma nova constituição, marcada para o dia 24 de fevereiro.

Há preocupações de que o esboço atual da nova constituição reduza significativamente a proteção à liberdade de religião ou crença, bem como notavelmente separe e enfraqueça referências à liberdade de consciência.  A Christian Solidarity Worldwide (CSW) documentou um relativo aumento nas violações de liberdade de religião ou crença na última década. Os oficiais de alto escalão do Partido Comunista convocaram líderes cristãos, iorubás e maçônicos em Santiago na terça feira (12 de fevereiro) para confirmar que eles e suas congregações estariam votando a favor da nova constituição. Líderes religiosos em vilas e cidades de toda a ilha têm informado à CSW que eles foram convocados para reuniões similares ao longo da semana passada.

O líder de uma igreja contou à CSW que ‘‘todos [os líderes do Partido Comunista Cubano] queriam nos intimidar porque pensaram que nós estávamos abertamente promovendo um voto negativo. Aos meus olhos, esse foi um encontro para tentar nos pressionar, penso que eles estão muito preocupados.’’

Os encontros seguiram com declarações públicas sem precedentes de algumas das maiores denominações Protestantes, incluindo a Convenção Batista Oriental, a Igreja Metodista de Cuba e as Assembleias de Deus, assim como da Conferência de Bispos Católicos Cubanos, criticando o conteúdo da nova constituição.

As Assembleias de Deus publicaram uma declaração nas mídias sociais pelo Comitê Executivo Geral em 10 de fevereiro, ‘‘… hoje quando nós lemos a nova constituição, que entrará em votação no dia 24 de fevereiro, nós percebemos que nenhum dos artigos propostos pela Igreja Cubana (16 artigos) foram considerados… Por esse motivo, essa constituição nos exclui e não nos representa’’.

Fontes em Cuba informaram a CSW que Lázaro Expósito Canto, Primeiro Secretário do Partido Comunista Cubano em Santiago (CPP), e Roberto Noa Frómeta, oficial do CPP, que supervisionam assuntos religiosos na mesma região, falaram aos líderes religiosos na terça-feira ‘‘… que o inimigo estava tentando destruir a Revolução, que o voto ‘‘sim’’ de forma unânime era necessário e que eles fariam tudo ao seu alcance para assegurar que as coisas ocorressem bem’’. Os oficiais do CPP então perguntaram diretamente aos líderes e seus membros sobre como eles planejavam votar.

No dia 8 de fevereiro, uma declaração publicada em uma página pública do Facebook atribuída a Mariela Castro Espín, filha de Raul Castro e membro da Assembleia Nacional, referiu-se à Igreja Católica como ‘‘a serpente da história’’, e pediu uma forte resposta do Estado à declaração da Conferência dos Bispos Católicos.

O Chefe Executivo da CSW, Mervyn Thomas, declarou, ‘‘Grupos religiosos em Cuba, que representam a maior parte da sociedade civil independente no país, tentaram participar do processo de consulta pública sobre a nova constituição, mas suas preocupações foram fortemente ignoradas, incluindo aquelas que dizem respeito a linguagem enfraquecida acerca liberdade de religião ou crença e liberdade de consciência. Líderes de igrejas têm exercido seu direito de compartilhar suas visões sobre o conteúdo da nova constituição, e têm declarado publicamente que eles não dirão a seus membros como votar. A CSW conclama o governo cubano a cessar seus esforços para pressionar e intimidar líderes religiosos na tentativa de forçar um voto ‘‘sim’’, e permitir a todos os cubanos a votarem de acordo com suas consciências no dia 24 de fevereiro’’.

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Fonte: CSW