Escrito em por . Atualizado em 14/02/2015 11:32h.

Artigo do Dr. Knox Thames, Diretor de política e pesquisa da United States Comission on International Religious Freedom  (USCIRF).

 

knox(2)O extremismo religioso violento será um dos maiores desafios a ser enfrentado pela comunidade internacional no século 21. Grupos como o Estado Islâmico no Iraque e Síria, Boko Haram na Nigéria, Al-Shabaab na Somália e o Taibã Paquistanês rejeitam a ordem internacional para estabelecer normas para os direitos humanos. Juntamente com agentes não estatais, a vulnerabilidade dos estados falidos e inovações tecnológicas para tornar o mundo mais interconectado, o cenário para formular uma estratégia eficaz que visa combater o extremismo religioso violento tem se tornado mais complicado. Os Estados Unidos devem atualizar sua atual base de segurança contra o terrorismo combatendo raízes do terrorismo moderno entre os grupos que estão envolvidos nisso. Esta estratégia deve reconhecer a religião como fonte de motivação e ideologia, enquanto que é promovida liberdade religiosa e pluralismo, com a intensão de combater as normativas das organizações terroristas religiosamente motivadas.

Primeiro, precisamos reconhecer os assuntos religiosos. De acordo com uma pesquisa feita em 2010 pela Pew Forum’s, na visão religiosa 84% da comunidade global acredtia em algo superior a eles. Apesar desta religiosidade, existem crescentes limitações contra a prática da liberdade. Numa pesquisa realizada em 2014, a Pew notificou que 76% da população global vive em países onde o governo ou agentes sociais retringem a prática da liberdade religiosa. Essas estatísticas são importantes para que os formuladores políticos levem a sério a situação, porque o surgimento das restrições sobrepostas com o crescimento da religiosidade apresentam a receita para os abusos contra os direitos humanos, instabilidade e violência.

As restrições e regulamentações crescentes contra a liberdade religiosa se dividem em quatro tipologias gerais:

· Repressão do Estado: Prisão das autoridades religiosas, lugares escondidos para cultos e negação da capacidade de se reunir. O poder do Estado é trazido para ser exercido contra a atividade religiosa considerada ilegal ou não ortodoxa.

· Implusos Majoritários: Em novas democracias ou em países que possuem fracas leis de proteção, a vontade descontrolada da maioria pode levar a tais abusos dos direitos humanos. Sem a proteção das minorias, a vontade de uma comunidade dominante, como um religioso por exemplo, pode usar as urnas para tranformar suas crenças em lei, e portanto, ativar os mecaninsmos do Estado para vigiar os pontos de vista religiosos.

· Extremismo: Agentes que não pertecem ao estado ou indivíduos que se apresentam como líderes reliogiosos incitam a violência contra outros indivíduos por causa das transgressões percebidas. Sua odiosa retórica pode mudar a visão da sociedade para lugares onde a violência contra religiosos nao só é permitida, mas elogiada.

· Terrorismo: O grupo do Estado Islâmico é o garoto propaganda do terrorismo que violentamente atinge minorias ou membros que sejam contra a fé majoritária.

Neste novo clima, os estados não são mais os únicos opressores das comunidades religiosas, cada vez mais, os agentes não-estatais, grupos extremistas, e organizações terroristas estão cometendo violações contra a liberdade religiosa. O Relatótio Anual Internacional do Departamento de Estado (2013) notou que “quando governantes escolhem não combater a discriminação e a intolerância, cria-se um ambiente em que grupos violentos são encorajaods a procederem de forma a agredir fisicamente os indivíduos nas bases de suas crenças religiosas.” Commission on International Religious Freedom (USCIRF) tem identificado os agentes não estatais como um novo desafio para a diplomacia americana dos direitos humanos.

Grupos extremistas e organizações terroristas estão cada vez mais esclarecidos na maneira como eles empregam os temas sectários no andamento de seus planos. Esse grupos agem em democracias emergentes e também podem agir quando encontram um espaço operacional em estados falidos ou em colapso. Basta apenas dar uma olhada para Mianmar, onde o Movimento 969, liderado por monges budistas, tem provocado a discriminação e a violência contra as minorias muçulmanas. A natureza não estatal desses e de outros grupos e a capacidade de se infiltrarem no meio das pessoas estão colocando-os em uma posição fora do alcance dos canais diplomáticos tradicionais. Assim, novas abordagens são necessárias para reduzir a influência desses grupos, combater sua ideologia e evitar mais violência. Entendendo como eles funcionam e empregam suas estratégias, será a chave principal.

Neste contexto emergente, os Estados Unidos estão começando a reconhecer que eles devem ir além da abordagem centrada no Estado tradicional para lidar com ameaças dos agentes sectários não-estatais. O Departamento de Estado dos EUA (DEE) no Relatório do Terrorismo nos Países em 2013 reconhece que a resposta não pode “invocar uma ação militar ou aplicação de lei por si só”, é necessário “um esforço conjunto de todo o governo contra o terrorismo”. Os Estados Unidos já lançaram as bases para expandir sua abordagem por meio da Estratégia dos Estados Unidos no Líder Religioso e Comunidade de Fé . Com isso firmado e com o estabelecimento do escritório das bases da fé e da comunidade, existe a possibilidade de uma maior coordenação entre vários escritórios do governo dos EUA, agências e órgaos

Além de ser contra o extremismo religioso, é importante ser a favor da liberdade religiosa. Aumentar o foco dos Estados Unidos e seus aliados sobre a liberdade de religião e de crença ajudaria as sociedades a criarem o espaço cívico aberto necessário para debater e desmistificar temas religiosos violentos. Este foco também deve ser incorporado à abordagem militar dos EUA. Se o conceito do exército de "forças alinhadas regionalmente" fosse  implementado, as unidades que ficam em um determinado local para uma melhor influência e forma de opinião deveriam incluir membros do serviço que entendessem sobre religião e liberdade religiosa.

Não vai ser fácil trazer essas várias linhas de esforço em uma única estratégia. No entanto, os Estados Unidos se destacam dentre outros governos por causa de seu trabalho em proteger a liberdade de crença e de direitos humanos. Ao contrário de governos que controlam a religião para reforçar sua posição doméstica e ratificar muitas vezes políticas repressivas, os Estados Unidos estão comprometidos com o avanço da prática livre e pacífica da religião para todos. Uma abordagem abrangente, que integra os direitos humanos e tolerância religiosa na estratégia dos EUA, será mais bem sucedida na construção durável, a resiliência da comunidade às mensagens violentas e na reduçao da atração do extremismo violento.

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FONTE: http://www.fletcherforum.org/
TRADUÇÃO: Fernando Souza l ANAJURE