Escrito em por . Atualizado em 21/04/2018 11:29h.

15230306085ac79a506208d_1523030608_3x2_lg[Criança lê a Bíblia durante missa católica em Taiyuan, na província chinesa de Shanxi – Jason Lee- 22.dez.2012/Reuters – Via: Folha de S. Paulo)

No início deste mês, a venda online de Bíblias foi proibida na China. A decisão foi anunciada no fim de semana e posta em prática no início da semana passada. O livro sagrado dos cristãos  ficou indisponível nos grandes sites de compra virtual, como  Amazon, JD e TaoBao. Uma fonte local disse ao World Watch Monitor (WWM), que “não conseguiu encontrar ou baixar Bíblias de uma popular plataforma online da Amazon e que outras pessoas relataram experiências semelhantes em mídias sociais.” As lojas digitais são uma boa alternativa aos interessados em comprar Bíblias, já que no país a versão impressa só está disponível para a venda em canais religiosos.

A medida é mais um dos esforços do presidente Xi Jinping em ampliar a liderança do partido comunista nas diversas esferas sociais. Sob seu governo, a pressão aumentou não apenas para cristãos mas também para muçulmanos e budistas. Em 2018, já foram registrados vários casos de violação à liberdade de crença na China, como demolição de igrejas, prisão de cristãos. Em fevereiro, entrou em vigor o regulamento revisando assuntos religiosos, que inclui mais restrições à prática religiosa, como por exemplo a obrigatoriedade das igrejas estarem registradas no governo.

Porém, o governo chinês voltou atrás em sua decisão e no dia 04 de abril apresentou um documento oficial sobre liberdade religiosa, apenas quatro dias depois de proibir a venda online de Bíblias. O documento intitulado “Políticas e Práticas da China para Proteger a Liberdade de Crença Religiosa”, o “papel branco”, como escreveu Bernardo Cervellera para a Asia News, foi impresso em 6 idiomas (chinês, inglês, francês, russo, espanhol e árabe) e apresentado em uma conferência de imprensa.

Em seu texto, Bernando destaca algumas acrobacias intelectuais contidas no documento oficial. Uma delas é quando se trata da liberdade religiosa de estrangeiros em território chinês. “Os estrangeiros têm liberdade para ir a templos, igrejas, mesquitas, mas dentro das ‘leis e regulamentos chineses’. Isso significa que eles não são livres para interagir com qualquer pessoa, mas apenas aqueles que participam de comunidades oficiais e registradas”, diz ele.

Bernado Cervellera também escreveu que o documento publicado não condiz com a realidade religiosa na China por contar apenas com as instituições que são registradas pelo governo. Para ele, “a falha no ‘Papel  Branco’ é clara: não é uma tentativa de elaborar um mapa de religiões, mas de convencer o mundo de que as únicas religiões que existem na China são as oficiais, permitidas pelo PCC. Para ele, a religião é uma concessão do topo do poder político, não uma dimensão inata do homem, chinês ou estrangeiro“.  Em março, o comentarista católico Eric Lai disse ao WWM que “o Partido Comunista quer ‘usar a religião como uma ferramenta para a estabilidade’ – espelhando as abordagens de outros governos autoritários, como a Rússia”.

 

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Com informações da: World Watch Monitor (WWM), Christian Solidarity WorldWide (CSW), Asia News, Estadão