Escrito em por . Atualizado em 27/02/2018 10:46h.

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[Foto: Li Baiguang (segundo à esquerda) e outros ativistas chineses de direitos humanos na Casa Branca, EUA, 2006 / Reuters]

No último dia 25, Li Baiguang, conhecido advogado de direitos humanos da China, faleceu em um hospital militar horas depois de dar entrada no local com dores estomacais. Há suspeitas de que autoridades do governo estejam envolvidas na morte do advogado.

O hospital onde Li Baiguang estava relacionou a causa da morte a um problema hepático; porém, amigos próximos de Li informaram que o mesmo se encontrava em boa saúde e nunca se queixou de nenhum problema. Há alguns meses atrás, autoridades chinesas o ameaçaram por sua ligação com pautas de direitos humanos.

Ativistas locais e internacionais receiam que autoridades chinesas estejam evolvidas no caso, devido ao estado de saúde do advogado não indicar nenhum problema aparente, e também por conta de outros casos já serem apontados na mesma linha de investigação, como o de Liu Xiaobo, Prêmio Nobel da Paz, e Peng Ming, que morreram sob custódia policial em julho de 2017 e novembro de 2016, respectivamente.

Altamente respeitado, Li Baiguang era um advogado de direitos humanos conhecido por sua defesa para os indivíduos prejudicados por apreensão de terras, comunidades religiosas e outras vítimas de abusos de direitos humanos. Li recebeu o prêmio anual de democracia do National Endowment for Democracy (NED) em 2008, e em 2013 defendeu Zhang Cuijuan, membro da Igreja Cristã do Condado de Nanle, detido em 2013 sem documentação formal, após membros da mesma igreja tentarem solicitar uma autoridade superior sobre uma disputa de terra em que a igreja estava envolvida. O pastor da igreja, irmão de Zhang, foi condenado a 12 anos de prisão e multado por 100 mil RMB (aproximadamente £ 9,400) sob acusação de fraude e de “reunir uma multidão para perturbar a ordem pública”.

Mervyn Thomas, chefe executivo da Christian Solidarity Worldwide, solicitou às autoridades chinesas que “iniciem uma investigação imediata sobre a morte de Li Baiguang, para garantir que a família não seja assediada ou restrita de forma alguma, e para cessar todas as formas de violência e intimidação contra defensores dos direitos humanos na China”, acrescentando que “a morte é uma tragédia […] e cada caso é um lembrete chocante e trágico do preço de falar em prol da justiça, da democracia e dos direitos humanos universais na China.

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Por: Redação l ANAJURE
Com informações da CSW