Escrito em por . Atualizado em 05/02/2018 17:26h.

China-Xinjiang-Urumqi

[Fotos: World Watch Monitor]

Mais de 100 cristãos foram levados para campos de reeducação na região de Xinjiang, noroeste da China, segundo o World Watch Monitor. Nos “centros de estudo” ou “centros de transformação mental”, autoridades têm detido pessoas do grupo minoritário Uyghur, de formação muçulmana, limitando as práticas religiosas como parte da campanha “anti-terrorista”, que objetiva combater o extremismo religioso e outras ameaças à segurança do país.

Nesses centros, os detidos são ensinados a serem leais à ideologia comunista, inibindo as atividades de grupos separatistas e militantes islâmicos. Além de muçulmanos, pessoas que se converteram ao cristianismo também foram apanhadas na repressão. Uma fonte afirmou ao WWM que os membros de sua igreja foram enviados para um desses campos sem saber quando voltaria. O tempo de reclusão varia entre um mês e até mais de seis meses, e a fonte afirma que as famílias cristãs foram separadas quando um ou ambos os pais foram enviados para “reeducação”.

Segundo o Waal Street Journal, Xinjiang é a área mais intensamente vigiada do mundo. Na região, é comum encontrar pontos de controle de segurança com scanners de identificação, usados para proteger as estações de trem dentro e fora da cidade, além de scanners faciais, responsáveis pelo rastreamento de idas e vindas em hotéis, shoppings e bancos. “Mesmo o seu smartphone está marcado”, informou o WSJ, acrescentando que a polícia local utiliza dispositivos manuais para pesquisar os celulares em uso nos aplicativos de bate-papo criptografados, vídeos carregados e outros conteúdos politicamente suspeitos.

Embora o governo tenha alegado proteger a liberdade religiosa, vários casos de violação a este direito vêm sendo registrados no país recentemente. Em janeiro deste ano, seis membros de uma igreja não registrada foram sentenciados a até 13 anos de prisão por “usar um culto ‘do mal’ para se organizar no intuito de minar a aplicação da lei” (leia aqui), e ainda no mesmo mês, autoridades chinesas demoliram um templo evangélico em Lifen, cidade da província de Shanxi, ao norte do país (leia aqui).

Em fevereiro de 2017, o WWM informou que as autoridades de Xinjiang, devido a um “ataque duro” contra o terrorismo, proibiram todas as atividades cristãs não relacionadas a igrejas registradas pelo governo. O presidente executivo da Christian Solidarity Worldwide, Mervyn Thomas, afirmou estar preocupado com “os seguidores religiosos e os defensores da liberdade religiosa colocados sob a vigilância residencial”, acrescentando que os mesmos “não têm contato com o mundo exterior e são mais propensos a serem sujeitos a tortura e maus tratos”, o que evidencia a clara violação da liberdade religiosa no país.

A china ocupa o 42° lugar da lista da Open Doors que elenca os 50 países mais hostis ao cristianismo no mundo (leia aqui).

Entre os 100 milhões de cristãos do país, apenas uma parte mínima é de origem muçulmana, e a maioria vive na remota província de Xinjiang. O preço da escolha do cristianismo para estas pessoas é alto, podendo leva-los a experimentar pressão do governo e descriminação familiar e social.

__________________________________________

Por: Redação l ANAJURE
Com informações de: World Watch Monitor, Waal Street Journal, CSW.