Escrito em por . Atualizado em 04/07/2018 14:10h.

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[Reprodução: Venezuelanos embarcaram em Roraima com destino a três estados, dentre esses a Paraíba (Foto: Alan Chaves/G1 RR)]

Segundo dados do Comitê Nacional Para os Refugiados (CONARE), a estimativa é de que existem no Brasil, cerca de 30.000 venezuelanos em situações migratórias diversas ou em situação irregular. Além disso, em 2017, as solicitações de reconhecimento da condição de refugiado em trâmite chegou a 17.865 pedidos só da Venezuela.

Os migrantes, que fogem do regime de Nicolás Maduro, entram no Brasil  pela fronteira com o estado de Roraima e se concentram principalmente nas regiões Norte e Sudeste do país.

Na tentativa de lidar com o intenso fluxo de venezuelanos que cruzam a fronteira do Brasil, a Casa Civil, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) organizaram o Processo de Interiorização, que tem como objetivo levar venezuelanos que entraram através da área fronteiriça do Norte a outras partes do país.

Na última terça-feira, 03, o processo chegou a mais uma etapa, quando um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) transportou mais de 160 refugiados para estados do nordeste e do sudeste brasileiro. O voo, custeado pelo Governo Federal, saiu de Boa Vista – RR, durante a manhã de terça e fez sua primeira parada em Recife, de onde cerca de 114 venezuelanos partiram em direção aos abrigos localizados nas cidades de Igarassu – PE e Conde – PB. A segunda parada foi realizada no Rio de Janeiro, onde outros 50 refugiados desembarcaram.

Os venezuelanos, que antes estavam em abrigos públicos da capital de Roraima, chegaram aos novos estados sem garantia de emprego e com uma segurança de permanecer três meses nos abrigos enquanto buscam uma estabilidade. Caso não consigam trabalho nesse período, o prazo de permanência pode ser revisto.

Como ressalta o Presidente da ANAJURE, Dr. Uziel Santana, o Processo de Interiorização é uma das maneiras mais eficazes de lidar com a atual crise de migração venezuelana no Brasil: “Medidas como essas ajudam a aliviar a situação dos municípios brasileiros próximos à fronteira com a Venezuela sem, contudo, ferir os nossos princípios diplomáticos e humanitários, o que aconteceria se houvesse o fechamento da fronteira, como solicitou a governadora de Roraima. Além disso, dá oportunidades para que outros estados brasileiros, sobretudo no Nordeste, se envolvam de forma mais direta na proteção aos refugiados e migrantes forçados, uma vez que a região é uma das que menos acolhem pessoas nessas situações.”

Para saber mais informações sobre isso, escreva para o Secretário Executivo do ANAJURE Refugees, Igor Sabino, em secretaria.refugees@anajure.org.br.