Escrito em por . Atualizado em 05/06/2018 09:09h.

 

église-dAth-Mellikèche [A igreja de Ait-Mellikeche. (Foto: World Watch Monitor)]

Duas igrejas protestantes localizadas na província de Kalybie –  na Argélia –  foram fechadas pelas autoridades no último final de semana. Uma das igrejas fica em Ait-Mellikeche, um distrito de Tazmalt, na região de Bejaia (200 km a leste de Argel, a capital) e  a outra localiza-se  na cidade de Maatkas, a 20 km da principal cidade de Tizi-Ouzou, 100 km a leste de Argel. As ordens para o fechamento  das igrejas veio dos prefeitos das respectivas cidades e a interdição foi executada por policiais. 

De acordo com os líderes das igrejas, não houve justificativa para que as atividades religiosas  fossem impedidas; um deles disse em condição de anonimato ao World Watch Monitor (WWM) que “os policiais chegaram na manhã de sexta-feira. Eles simplesmente isolaram a entrada principal sem aviso prévio, como era o caso antes com outras igrejas afiliadas à EPA ( Eglises Protestantes d’Algerie)”.

Segundo informações do Middle East Concern, desde novembro de 2017 um comitê de autoridades vem conduzindo inspeções de igrejas,e embora o objetivo declarado seja o de verificar a conformidade com a segurança, os funcionários também analisaram os acordos de licenças.  Sete igrejas já foram fechadas, dentre elas, quatro são afiliadas à EPA. Várias outras igrejas também foram solicitadas a cessar todas as atividades.

A  Igreja Protestante da Argélia  (EPA – sigla em francês )  é uma organização de proteção às igrejas  no país que foi oficialmente reconhecida pelo governo desde 1974. No entanto, em 2012, de acordo com novas leis,   a organização  precisou se registrar novamente. Apesar de cumprir todos os requisitos legais e solicitar o recadastramento em 2013, a EPA ainda não recebeu uma resposta oficial do governo, ou seja, tecnicamente, não possui status legal  e oficial. No mês passado três pastores argelinos, foram até os Estados Unidos, Reino Unido e França solicitar aos líderes destes países que pressionassem o governo da Argélia, para que as leis fossem respeitadas e implementadas, e a liberdade religiosa fosse concedida  conforme estabelecido no Artigo 18 do Declaração Universal dos Direitos Humanos. Os três pastores, Mustafa Krim, Ali Khidri e Youssef Ourahmane, também lutam  pela desregulamentação dos locais de culto , pelo fim das leis anti-proselitismo e pela liberdade de importar materiais cristãos e pelo reconhecimento oficial da EPA, de acordo com informações da WWM.

Ocupando o 42º lugar na lista de países mais hostis ao cristianismo, a  Argélia é um país de maioria islâmica. No entanto, o Cristianismo está crescendo rapidamente,  principalmente na província de Kabyle,  um grupo étnico berbere originalmente cristão que inicialmente  resistiu ao islã mas finalmente cedeu após a invasão árabe no século VIII.  Além das pressões e burocracias do estado, que limitam a liberdade religiosa, e da insurgência de grupos radicais islâmicos,  os cristãos argelianos também sofrem com a discriminação por parte de parentes e vizinhos . A discriminação é ainda maior nas regiões rurais onde há um maior conservadorismo em relação à religião predominante.  As principais denominações na Argélia incluem a Igreja Protestante da Argélia (EPA), a Igreja Católica Romana, a Igreja Anglicana, os metodistas, adventistas, e também várias igrejas independentes e grupos em casas.

Para o presidente da ANAJURE, Dr. Uziel Santana, essa situação é bastante preocupante, uma vez que o fechamento de igrejas constitui uma grave violação do Artigo 18 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de 1976, do qual a Argélia é signatária. Desse modo, segundo ele, “torna-se imprescindível que a comunidade internacional se manifeste a respeito, utilizando-se das vias diplomáticas para dialogar com o governo argelino acerca do tema”.

Para mais informações sobre o caso, escreva ao  Secretário Executivo do ANAJURE Refugees, Igor Sabino, em secretaria.refugees@anajure.org.br.

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Redação / ANAJURE

Fontes: Word Watch Monitor (WWM), Middle East Concern, Portas Abertas.