Escrito em por . Atualizado em 20/03/2019 17:23h.

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A Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE) vem, por meio do presente expediente, expor ao Governo Brasileiro, à Comunidade Internacional e, sobretudo, ao Governo e à população civil da Nigéria, sua posição diplomática em defesa da liberdade religiosa dos cristãos no país.

O Continente Africano, segundo maior continente do mundo, é composto por milhares de grupos étnicos e 54 países internacionalmente reconhecidos. Apesar disso, especialmente na região da África Sub-Saariana, os índices de perseguição aos cristãos são altos e com tendências a persistirem, como relata a Open Doors International[1].

Em junho do ano passado, de acordo com a organização, pastores de ovelhas muçulmanos, de etnia Fulani, atacaram durante quatro dias uma dúzia de aldeias no estado de Plateau, na Nigéria. As comunidades foram dizimadas, pois cercavam a cidade de Jos – conhecida como o centro do cristianismo do cinturão norte do país.

Segundo os dados auferidos pelo Open Doors, pelo menos 200 cristãos foram mortos no ataque, unindo-se a isso o fato de que vários corpos foram queimados pelos extremistas islâmicos. Para melhor compreensão da gravidade de violação à liberdade religiosa no país, a organização relatou que famílias inteiras de pastores cristãos foram cerceadas pelos militantes Fulani, posto que os ataques permaneceram nas propriedades dos cristãos. Este foi o caso, por exemplo, de um pastor da Evangelical Church Winning All (ECWA), que teve 14 membros da família de sua esposa dizimada, incluindo sua mãe e irmã. Outros que vieram visitá-los também foram mortos. No total, 27 pessoas perderam a vida na mesma casa. Todos foram queimados até a morte. Apenas uma pessoa – o irmão mais novo de sua esposa – sobreviveu, pois conseguiu escapar pelo telhado.

Unido a isso, os cristãos na Nigéria têm sofrido com a forte presença do Boko Haram, grupo extremista islâmico. Os extremistas já declararam abertamente que intencionam erradicar os cristãos do país como um grande plano para islamizar a Nigéria.

Em agosto do ano passado, a ANAJURE se reuniu com embaixador nigeriano C.J. Okeke, com o objetivo principal de entregar uma carta elaborada pelo IPPFoRB América Latina (Painel Internacional de Parlamentares para Liberdade Religião ou Crença) acerca dos casos crescentes de violência contra cristãos pelas milícias da etnia Fulani. Durante o encontro, foi reconhecido os esforços do governo da Nigéria para solucionar o problema. Contudo, a organização solicitou que as autoridades considerem o caráter religioso das ações e tomem medidas mais eficazes na promoção da liberdade religiosa no país. O embaixador nigeriano admitiu a complexidade da situação.

A ANAJURE, portanto, permanece com seus esforços diplomáticos para solucionar o grave quadro de violência à liberdade de religião ou crença na Nigéria, ao crer que esta é a melhor forma para alcançar meios possíveis de pôr termo a este problema.  Desta feita, a organização enviou nova solicitação de reunião para a Embaixada da Nigéria no Brasil a fim de externar suas preocupações quanto a permanência da coação sofrida pelos cristãos no país ao longo dos últimos anos.

Ademais, a ANAJURE, enquanto defensora das liberdades civis fundamentais, convida-os a orar pelos cristãos na Nigéria. Neste sentido, pedimos que orem para que Deus se faça presente na vida dos cristãos que têm sofrido na Nigéria e em todo o continente africano; para que a fé dos cristãos seja fortalecida em meio ao sofrimento; por fim, orem para que o Senhor intervenha na Nigéria e leve os perseguidores à justiça.

Brasília – DF – Brasil, 20 de Março de 2019

Dr. Uziel Santana dos Santos

Presidente

Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE)

[1] OPEN DOORS. A dozen Christian villages in Nigeria wiped-out in four-day killing spree. Disponível em: https://www.opendoorsusa.org/christian-persecution/stories/a-dozen-christian-villages-in-nigeria-wiped-out-in-four-day-killing-spree/?fbclid=IwAR1PjOa6zV69hEirlHqe2oytpmcA tmLbGEFzU5VKJjD5OjkHvoDBgVdPIw. Acesso em: 20 de março de 2019.