Escrito em por . Atualizado em 12/11/2019 10:15h.

[Morales renuncia à presidência do país, que enfrenta instabilidade política e social após as eleições de outubro de 2019]

 

No último domingo (10), Evo Morales comunicou em rede nacional que renunciava ao posto de Presidente da Bolívia, após liderar o país desde 2006, sendo o líder que esteve mais tempo no poder. O fato é consequência das eleições de 2019, que renovaram o mandato de Morales, terem desencadeado uma série de protestos no país, por suspeita de fraude eleitoral.

Cabe destacar que durante a eleição de 2019, quando a contagem dos votos apontava um segundo turno e estava com o total de 83% de apuração, o Supremo Tribunal Eleitoral (STE) boliviano suspendeu a contagem dos votos, mostrando no dia seguinte que o presidente havia se reelegido por uma margem de diferença de dez pontos sobre o candidato da oposição, Carlos Mesa. Isso gerou inúmeros conflitos nas ruas ao longo de três semanas, entre aqueles que apoiavam ou contestavam os resultados divulgados. Inclusive, em meio à tensão política e instabilidade social, através de um comunicado oficial também publicado neste domingo (10), as Forças Armadas bolivianas sugeriram a renúncia do então presidente Morales como forma de conter a crise política.

Apesar do discurso da esquerda que nomeia a saída de Evo Morales como um golpe político, a renúncia dele ocorreu também após uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) comprovar que a recente eleição presidencial boliviana, realizada no dia 20 de outubro de 2019, teve irregularidades (Leia o informe completo da OEA AQUI). Entre as muitas denúncias apontadas pela OEA, estão: cédulas alteradas ou com assinaturas falsas e incoerência estatística de vitória no primeiro turno com a porcentagem alegada. Morales disse aceitar as recomendações da OEA para realizar outro pleito eleitoral, todavia, optou pela renúncia após a pressão de perder o apoio das Forças Armadas.

Em concordância com os argumentos de irregularidades apontados pela OEA, a ANAJURE, que é membro da Federacion Interamericana de Juristas Cristianos (FIAJC), se manifesta a favor de novas eleições na Bolívia e de um processo democrático que deixe espaço aberto e limpo para o contraditório, o olhar da comunidade internacional e, principalmente, a vontade dos bolivianos em escolher um líder.

A ANAJURE também pede que seus membros e parceiros estejam em oração pela Bolívia, para que o novo processo eleitoral ocorra em paz.