Linha do tempo mostra avanço do ISIS no norte do Iraque

ISIS

A organização americana World Watch Monitor divulgou na última semana uma linha do tempo detalhando o avanço do grupo terrorista ISIS, dissidente da Al Qaeda, no norte do Iraque. Os efeitos deste avanço estão provocando a fuga de milhares de cristãos que lutam para sobreviver aos fortes ataques realizados pelo grupo.

Em junho deste ano, o grupo ISIS se apoderou da segunda maior cidade do país, Mossul, além de outras cidades menores. Desde então, cristãos deixam suas casas sob a mira dos militantes armados ou fogem antecipadamente à chegada do grupo às aldeias. Muitos cristãos em fuga são saqueados e terminam por perder seus pertences no caminho.

Com ataques aéreos liderados pelos EUA, muito dos que se abrigaram na montanha de Sinjar puderam mover-se para sair da montanha. Relatos afirmaram que muitos ficaram presos no local sem águas ou alimentos. A ajuda enviada pelo YPG (a Milícia de Proteção às Pessoas) é impotente diante do calor excessivo enfrentado pelos refugiados.

Acompanhe abaixo as informações da linha do tempo:

ISIS Sobre Mosul

10 de junho

Membros do grupo 'Estado Islâmico no Iraque e na Síria' (ISIS), se apoderaram da segunda maior cidade do Iraque, Mossul. Estima-se que 50 mil residentes aderiram a um êxodo para fora da cidade. Cerca de 250 famílias encontraram refúgio em mosteiros em torno de Mossul, enquanto outros seguiram para aldeias cristãs próximas, no leste ou norte de Qaraqosh, para lugares relativamente seguros como Dohuk e Erbil na região curda.

Tikrit é dominada

11 jun

Os militantes jihadistas dominaram Tikrit, capital da província de Salaheddin. Depois de uma batalha com o exército iraquiano, o ISIS conseguiu o controle da cidade. O grupo também passou a controlar grandes áreas da província de Nínive, onde grande parte da população iraquiana cristã está concentrada, no oeste e norte de Salaheddin. 

1.600 anos de adoração interrompida

15 de junho

O arcebispo Bashar Warda, da Igreja Católica Caldeia de Erbil, no norte do Iraque governado pelo Curdistão, disse que pela primeira vez em 1.600 anos não houve missa em Mossul, no dia 15 de junho. Esta é a cidade tomada dias atrás pelas forças ISIS. De acordo com relatórios, mais de mil famílias cristãs restantes entre 3.500 fugiram da cidade. Em 2003, antes de os EUA ocupar o Iraque, cerca de 35 mil cristãos viviam em Mossul.

Refinaria atacada

17 de junho

O ISIS tenta se apoderar da maior refinaria de petróleo que fica próxima ao norte da cidade do Bayji, no Iraque, mas depois de intensos combates, o exército recupera o controle. Desde o dia 22 de julho, os relatórios indicam que soldados iraquianos ainda mantêm a refinaria, apesar dos repetidos ataques de combatentes do ISIS para possuí-la.

Impondo o Dhimma

21 de junho

Um membro do Alto Comissariado de Direitos Humanos do Iraque, Dr. Sallama Al Khafaji, diz ao site de notícias árabe ‘Al Sumaria’ que o grupo ISIS começou a exigir um imposto especial para os ‘Não-mulçumanos’ (cristãos) em Mossul. De acordo com os islâmicos, no contrato dhimma, que remonta aos tempos medievais, os cristãos são obrigados a pagar imposto e não estão autorizados a expressar publicamente a sua fé. Na era moderna, o contrato dhimma não tem sido amplamente aplicado.

Tal Afar cai

23 de junho

Após uma semana de intensos combates, militares iraquiano perdem a batalha pela cidade estratégica ao noroeste de Tal Afar, perto da fronteira com a Síria e seu aeroporto. Estima-se que 50 mil moradores saíram em direção à cidade vizinha Sinjar.

Batalha por Qaraqosh

25 de junho

Forças curdas se envolveram com milícias ISIS tentando entrar em Qaraqosh, 30 km a sudeste de Mossul. Muitos dos cristãos que fugiram de Mossul se refugiaram em Qaraqosh.

Proclamando o ‘Estado Islâmico’

29 de junho

Os jihadistas ISIS declarar um "califado islâmico", ou estado islâmico – que se estende de Aleppo, no norte da Síria para a província de Diyala no leste do Iraque, e com sua capital em Ar- Raqqah, Síria. O grupo muda seu nome para o Estado islâmico, e declara seu chefe Abu Bakr al-Baghdadi califa, um líder político e religioso para os muçulmanos de toda parte.

O ultimato

18 de julho

Nos alto-falantes, o ultimato aos não-muçulmanos é anunciado: “converter-se ao Islã, pagar o imposto jizya, ou sair”. A declaração conclui: "Se eles recusarem isso, não terão nada além da espada”. A mensagem provoca o êxodo dos poucos cristãos remanescentes na cidade. Casas pertencentes aos cristãos são pulverizadas com a letra  ن (N), que se refere ao nome Nazareno ou cristão. Aqueles que saem são parados em postos de controle e perdem tudo, além das roupas que estão vestindo – incluindo celulares, jóias e medicamentos. Um cristão relatou que seu filho foi forçado a entregar seu dinheiro de bolso, o que equivalia a 22 centavos.

Os poucos que permanecem

19 de julho

Uma fonte da Portas Abertas Internacional disse: "As casas marcadas com 'N' foram assumidas pelo ISIS, mesmo os que estavam habitadas por muçulmanos. Eles encontraram 25 famílias cristãs em Mossul depois do ultimato. Alguns cristãos foram incapazes de sair por conta da velhice, deficiência ou razões médicas. Os que ficaram foram convidados a se converter ao Islã e pelo menos cinco pessoas com deficiência se converteram. O que aconteceu com o resto permanece desconhecida. Você não tem lugar mais aqui'.

20 de julho

O mosteiro do século IV, Mar Behnam, situado a 50 quilômetros ao sudeste de Mossul, foi tomado por militantes do ISIS. Um relatório da Agência France-Presse diz que os monges caminham vários quilômetros antes de serem pegos pelos combatentes curdos armados, que os levam até Qaraqosh.

Santuários destruídos

24 de julho

Entre outros edifícios religiosos e históricos, militantes do grupo ISIS explodiram o local de sepultamento do profeta bíblico Jonas, também reconhecido no Islã.

Igreja se tornou estábulo para animais.

26 de julho

Já possuindo o controle de muitos edifícios religiosos significativos, militantes do grupo ISIS tomam o do mosteiro do século IV Mar Mikhail e o transformaram em celeiro para animais.

Assassinatos em Sinjar

04 de agosto

O ISIS conquista várias cidades, incluindo Sinjar, perto da fronteira com a Síria, e Tel Qasab. Na região, entre os Yazidi, viviam cerca de 50 famílias cristãs, onde os militantes assumiram o controle da Igreja siríaca e cobriram a cruz com uma bandeira preta. Relatos de assassinatos, sequestros e outros horrores são abundantes. Entre aqueles que fogem ao longo da noite estão dezenas de milhares de membros da minoria Yazidi, que segue para o norte, para as montanhas do Monte Sinjar.

Avanço em Nínive

06 agosto

Fontes relatam que militantes do ISIS ainda avançam para a planície de Nínive, atacando não só aldeias como Qaraqosh, Bartella e Karamlesh ao leste de Mossul, mas também alto Kayf e Telskuf, ao norte.

7 de agosto

O Jornal The Guardian relata que Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque, tem sido "praticamente abandonada". Cerca de 50 mil cristãos estão entre os residentes que fogem da região. As cruzes são retiradas e relíquias religiosas são destruídas. Assentamentos cristãos das proximidades foram assumidos pelo ISIS no início do dia, forçando milhares de cristãos a fugir para áreas controladas por curdos.

Demonstrações de angústia e apelo à intervenção são emitidos pelo Papa Francisco e outros líderes ao redor do mundo.

A resposta militar

7 de agosto

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, autoriza ataques aéreos limitados, principalmente para atacar militantes do ISIS em torno Monte Sinjar e defender os cidadãos dos EUA em Kusdish, na capital regional de Erbil. "Eu não acho que nós iremos resolver este problema em semanas", diz o presidente em uma entrevista coletiva em Washington. "Isso vai levar algum tempo".

"A bomba-relógio '

7 de agosto

Militantes do ISIS assumiram o controle da Represa de Mossul, a maior barragem do Iraque. Isso faz da situação "uma bomba-relógio", de acordo com Azam Alwash, um engenheiro hidráulico iraquiano. Observadores sugerem que o ISIS vai manter a barragem como uma ferramenta de barganha no norte – se for destruído ou deixado cair em desuso, a parede de água desencadeada consumiria aldeias e inundaria a cidade de Mossul em poucas horas, e potencialmente inundaria Bagdá, centenas de quilômetros de distância.

O destino ainda é incerto

08 de agosto

Fontes da Portas Abertas ainda são incapazes de confirmar o que aconteceu com as famílias cristãs que foram viver em Sinjar.

Milhares resgatados da montanha

10 de agosto

Relatórios nos dão conta das condições desesperadoras enfrentadas pelo Yazidi presos no Monte Sinjar. Gotas de ajuda começaram a chegar, embora eles não façam nada para aliviar o calor abrasador. Diante de um desastre humanitário, helicópteros do exército iraquiano trouxeram ajuda médica. Sob a cobertura de ataques aéreos norte-americanos, o sírio curdo  YPG (a Milícia de Proteção às Pessoas) é capaz de acompanhar milhares de Yazidis para fora da montanha.

Militantes frustrados em telskuf e aldeias Kayf

10 de agosto

Uma fonte contou ao World Watch Monitor que ele viajou de carro para Telskuf e Alto Kayf, na planície de Nínive. Embora lutando sobre as aldeias, de acordo com a fonte, as forças ISIS ainda não haviam tomado o controle.

"Interrompido", não quebrado

11 de agosto

Ataques americanos têm apenas "temporariamente interrompido" os planos do ISIS, diz o Tenente-General William, do Pentágono. "De maneira alguma eu quero sugerir que temos efetivamente contido, ou que de alguma forma estão quebrando a ameaça do IS. O presidente dos EUA afirma que “os Estados Unidos vão manter-se vigilante contra a ameaça que o IS representa para o nosso povo, estamos prontos para uma parceria com o Iraque em sua luta contra essas forças terroristas".

Encontrar refúgio em Dohuk

12 de agosto

18 famílias cristãs de Sinjar ficaram refugiadas em Dohuk, de acordo com uma agência local. As famílias dizem que nenhuma de suas mulheres ou moças foram tomadas pelos militantes, ao contrário de alguns relatórios. Em outros lugares, o lento progresso é relatado em Sinjar Mountain, onde os habitantes Yazidi da cidade de Sinjar se refugiaram e ficaram presos sem comida ou água. Muitos fugiram para o norte, através de uma estrada que leva para a Síria, onde eles estão agora vivendo em campos de refugiados.

Ameaças continuam

14 de agosto

Moradores da cidade de Kojo, cerca de 18 quilômetros ao sul de Sinjar, dizem que estão recebendo prazos do ISIS para que se convertam ao Islã ou encarem a morte. Ultimatos semelhantes são relatados em uma série de outras cidades.

Montanha Siege quebrada

13 agosto

Autoridades de defesa dos EUA dizem aos repórteres que os ataques aéreos ao grupo ISIS perto do Monte Sinjar, bem como lançamentos aéreos de alimentos e água, têm ajudado a tornar possível para um grande número de refugiados que se movam para fora da montanha. O secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, diz que as forças americanas irão continuar a prestar assistência humanitária, conforme necessário.

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Por: ANAJURE l Press Officer – Angélica Brito

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