Escrito em por . Atualizado em 05/09/2013 12:54h.

Parece certo: um grande número de Cristãos está deixando o berço do cristianismo.

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Quão grande é esse número, no entanto, é uma questão de conjectura, de acordo com um novo relatório sobre migração Cristã do Oriente Médio.

A contabilidade precisa é impossível, mas o autor do relatório, Markus Tozman, diz que buscar a precisão é importante porque o destino da população Cristã no Oriente Médio afeta os direitos humanos na região, bem como as estruturas de poder em todo o mundo Árabe.

"O número real dos cristãos no Oriente Médio é altamente contestado e parte de um debate em curso. Ele flutua em função do grupo que apresenta os números e, portanto, depende das intenções do respectivo grupo", diz o relatório.

Tozman é um estudante de graduação do Oriente Médio na Universidade Johns Hopkins, e ex-assistente de Tweede Kamer der Staten-Generaal, um membro do Parlamento Holandês cujo portfólio no Conselho da Europa inclui a proteção das minorias no Oriente Médio. Tozman colaborou na produção de um livro em 2012 que documenta o desaparecimento gradual dos Cristãos Siríacos Ortodoxos da Turquia.

O relatório é publicado pela World Watch List, um grupo de pesquisa que publica um ranking anual dos 50 países onde os Cristãos estão sob maior perseguição devido a sua fé. O World Watch List é uma unidade da Portas Abertas Internacional, uma organização global sem fins lucrativos que fornece apoio aos cristãos perseguidos.

Tozman afirma que: “Registrar a ausência de pessoas é muito complicado. A tarefa se torna mais difícil por conta do censo em toda a região que, quando conduzido até o fim, tende a ser irregular e seus documentos privados do acesso público”.

Novas contagens apontam regularmente que a população Cristã Copta do Egito representa cerca de 10%, ou 8 milhões, dos 82 milhões de habitantes do país. O último Papa Copta Shenouda II colocava o número em 12 milhões, embora Tozman aponte que vários dos próprios bispos de Shenouda reconheceram mais tarde que eles não têm quaisquer números seguros para suas próprias regiões. O registro mais confiável é um estudo realizado pela Arab West Report, que estima que o número verdadeiro seja de cerca de 4 milhões.

Outro número amplamente divulgado, os 100 mil Coptas que supostamente deixaram o Egito desde a revolução de 2011, também tem a sua própria fraqueza. Segundo Tozman, “o número, se origina com Najib Jabrail, um copta que é advogado de direitos humanos. No entanto, ele nunca foi capaz de explicar a partir de onde recebeu seus números".

Em todos os cinco países abrangidos no relatório – Egito, Iraque, Síria, Líbano, Turquia – a história é a mesma.

Para Tozman, "meras estimativas e análises de fontes primárias e secundárias não são, em muitos casos, o suficiente para obter um retrato completamente preciso". Apenas uma das fontes que Tozman contatou diretamente citou a origem de seus números, e nenhuma fonte na Internet citou essa origem.

Outros países também não oferecem muitos registros, observa o relatório. Embora as evidências sugiram que os cristãos no Oriente Médio têm intensificado a sua fuga para países da Europa, Américas e Austrália, nenhum desses países acompanha a religião dos recém-chegados.

O número de Cristãos, afirma o relatório, muitas vezes é sombreado para cima ou para baixo por razões políticas – inflados pelos Cristãos minoritários para manter representação no governo; deflacionado pela maioria Muçulmana para minar reivindicações Cristãs por benefícios. Na ausência de precisão, Tozman afirma, a própria aritmética da população torna-se politizada.

O relatório cita que: “Obscurecendo a questão ainda mais estão a guerra civil na Síria e a agitação política no Egito.”

"Todas as suas implicações para os países vizinhos mudaram completamente a situação e dinâmica para os Cristãos em toda a região", diz Tozman. "Isto é particularmente preocupante, pois o Egito e a Síria (em conjunto com o Líbano) eram o lar para a maioria dos Cristãos no Oriente Médio. Se estes países estão em caos, as consequências serão desastrosas. Seria um golpe fatal para os últimos remanescentes de uma comunidade Cristã viva no coração do Cristianismo. À luz da situação atualmente em desgastante, ninguém pode prever como o número de cristãos no Oriente Médio irá desenvolver no decorrer dos próximos anos, mas uma nova redução é altamente provável". 

Este tema foi abordado em um debate parlamentar recente em Londres, durante o qual Rev. Andrew White, pastor de uma igreja Anglicana em Bagdá, disse que a população Cristã do Iraque tinha diminuído de 1,5 milhão para apenas 200 mil na última década. Ele disse que esta tendência pode ser testemunhada em todo o Oriente Médio.

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FONTE: WORLD WATCH MONITOR
TRADUÇÃO: ROMULO MOURA